GEOGRAFIA DA MANDIOCULTURA EM LAGOA SECA/PB: RUGOSIDADES, RESISTÊNCIA E MODERNIDADE
Abstract
A mandioca, considerada a mais brasileira de todas as plantas econômicas, está presente na alimentação da população desde antes da colonização, o que lhe confere relevância histórica, econômica e social, desde o seu cultivo até a sua transformação em alimento e comercialização. Durante muito tempo, consistiu em uma atividade predominantemente agrícola e artesanal; entretanto, com o advento do meio técnico-científico-informacional, muitas casas de farinha passaram por um processo de modernização, coexistindo com aquelas que adquiriram características agroindustriais. O objetivo deste artigo foi mapear as unidades produtivas da mandioca e discutir o uso do território no município de Lagoa Seca/PB, destacando sua importância historiográfica. Para tanto, os procedimentos metodológicos foram estruturados em três etapas distintas: teórica-conceitual, análise de dados secundários e pesquisa empírica, realizada por meio de estudo de campo. Em 2022, Lagoa Seca foi o décimo segundo maior produtor de mandioca do estado da Paraíba. A partir da pesquisa de campo, considera-se bastante representativo o mapeamento da mandiocultura no município, uma vez que foram localizadas 40 unidades de beneficiamento. Dentre elas, 25 encontram-se desativadas, 7 são casas de farinha artesanais e 5 são mecanizadas. Estas coexistem com 3 agroindústrias de goma de tapioca, que dispõem de equipamentos modernos, utilizam fécula industrializada e distribuem seus produtos para diversos estados do país, evidenciando um processo de modernização produtiva e novas dinâmicas territoriais no beneficiamento da mandioca em Lagoa Seca.