Recebido em: 13.03.2026
Aprovado em: 10.04.2026
Avaliado pelo: Sistema Double Blind Review
INTERFERÊNCIAS DO TURISMO DE OBSERVAÇÃO DE BALEIAS E DESAFIOS PARA A GESTÃO NO ESPÍRITO SANTO1
WHALE WATCHING TOURISM INTERFERENCES AND CHALLENGES FOR MANAGEMENT IN ESPÍRITO SANTO
Pilsen Ca’lía da Costa Peterle2
E-MAIL: pilsencalia@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0002-5462-9405
Rafael Granvilla Oliveira3
E-MAIL: rafael.granvilla@turismo.es.gov.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3506-1909
Camilah Antunes Zappes4
E-MAIL: camilah.zappes@ufes.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5486-6577
RESUMO
O turismo de observação de baleias tem se consolidado como uma importante modalidade de ecoturismo, promovendo benefícios econômicos, sociais e ambientais em regiões costeiras. Este estudo teve como objetivo descrever, a partir da percepção de stakeholders, as interferências do turismo de observação de baleias na região metropolitana costeira do Espírito Santo. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, com aplicação de entrevistas semiestruturadas a 36 representantes da gestão pública, iniciativa privada e terceiro setor, além da utilização de diário de campo. Os dados foram analisados por meio de categorização temática, análise de discurso, triangulação de informações e estatística descritiva. Os resultados indicam que a maioria dos participantes reconhece impactos positivos da atividade, especialmente na movimentação da economia local, geração de emprego e renda, fortalecimento da cadeia produtiva do turismo e valorização sociocultural. Entretanto, foram identificados desafios relacionados à infraestrutura, ausência de políticas públicas específicas, escassez de embarcações homologadas, necessidade de investimentos e maior divulgação da atividade. Conclui-se que o turismo de observação de baleias apresenta elevado potencial para contribuir com o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo, desde que sejam fortalecidas estratégias de governança, planejamento integrado e participação dos diferentes atores envolvidos.
Palavras-chave: Economia do Mar. Ecoturismo. Percepção. Stakeholders.
ABSTRACT
Whale watching tourism has become an important ecotourism activity, promoting economic, social, and environmental benefits in coastal regions. This study aimed to describe, from the perspective of stakeholders, the impacts of whale watching tourism in the coastal metropolitan region of Espírito Santo, Brazil. A qualitative approach was adopted, involving semi-structured interviews with 36 representatives from the public sector, private sector, and third sector, as well as field diary records. Data were analyzed through thematic categorization, discourse analysis, data triangulation, and descriptive statistics. The findings indicate that most participants recognize positive impacts of the activity, particularly regarding local economic development, job and income generation, strengthening of the tourism production chain, and sociocultural appreciation. However, challenges related to infrastructure, the absence of specific public policies, the shortage of certified vessels, the need for investments, and greater promotion of the activity were also identified. The study concludes that whale watching tourism has significant potential to contribute to the sustainable development of Espírito Santo, provided that governance strategies, integrated planning, and stakeholder participation are strengthened.
Keywords: Blue Economy; Ecotourism; Whale Watching; Stakeholders; Environmental Governance.
Nas últimas décadas, o turismo em ambientes marinhos apresentou um crescimento substancial, destacando-se particularmente a prática de observação de baleias. Essa atividade é caracterizada por excursões marítimas, aéreas ou terrestres, realizadas de maneira formal ou informal, com objetivos comerciais, que visam a observação, interação e/ou audição de qualquer espécie de grande cetáceo (De la Cruz-Modino & Costentino, 2022).
O entendimento de que cetáceos podem ser considerados um importante recurso econômico do turismo pode auxiliar no incremento da atividade. Isto porque, à medida que esta associação é estabelecida, acontecimentos como caça ou animais presos acidentalmente em artefatos de pesca podem ser entendidas não apenas como perdas da biodiversidade, mas também como a remoção de um recurso turístico e fonte de renda (Parsons & Brown, 2018). Embora o ecoturismo e a observação de baleias possam gerar benefícios econômicos e sensibilização ambiental, ainda existem lacunas para o entendimento dos efeitos desse turismo como ramo econômico. Entretanto, ações de planejamento podem ser direcionadas para minimizar as interferências negativas relacionadas à atividade (Hoyt & Iñíguez, 2008).
No Brasil, o turismo de observação de baleias cresceu em especial devido ao aumento das populações de baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) e baleia-franca-do-sul (Eubalaena australis) cuja distribuição alcança a costa do país durante a primavera e o inverno. Atualmente, a prática ocorre principalmente nos estados de Santa Catarina (SC) para baleia-franca-do-sul, no sul do estado da Bahia (BA) e na região metropolitana do estado do Espírito Santo (ES) para baleia-jubarte (Hoyt & Iñíguez, 2008).
No ES, sudeste do Brasil, o turismo de observação de baleias é uma atividade ainda em expansão, principalmente pelo aumento da ocorrência de baleias-jubarte a cada temporada reprodutiva no Atlântico Sul (Zerbini et al., 2011). Por este motivo, é importante estabelecer parcerias para o incremento da atividade envolvendo gestão pública, área privada e grupos sociais (Peterle et al., 2025). A compreensão da percepção de stakeholders é uma importante etapa na elaboração de estratégias de cogestão deste tipo de turismo uma vez que permite discussões interdisciplinares e garante a participação dos diferentes atores envolvidos (Peterle et al., 2025). Neste sentido, o presente estudo tem como objetivo descrever a partir da percepção de stakeholders as interferências do turismo de observação de baleias na região metropolitana costeira do estado do Espírito Santo (ES), sudeste do Brasil.
As atividades de campo deste estudo foram conduzidas nos municípios de Fundão (19°55’58”S; 40°24’25”O), Serra (20º07’44”S; 40º18’29”O), a capital Vitória (20º19’20”S; 40º20’17”O), Vila Velha (20º19’50”S; 40º17’32”O) e Guarapari (20°39’4”S; 40°30’24”O), sendo toda a área de estudo considerada ‘região metropolitana’ do estado do Espírito Santo (ES) defronte o mar, sudeste do Brasil, sendo aqui chamada de ‘região metropolitana costeira’ (Figura 1). Esta é uma importante área reprodutiva para as populações de baleias-jubarte que migram anualmente para acasalar e terem os filhotes (Zerbini et al., 2011). Neste momento migratório as baleias se tornam uma atração turística.
A coleta de dados ocorreu entre junho de 2023 e fevereiro de 2024, onde foram realizadas (i) entrevistas individuais, estruturadas em questionários semiestruturados (Schensul et al., 1999); e (ii) o uso de diário de campo (Geertz, 1998). Os stakeholders identificados foram classificados em três categorias: (1) gestores públicos das esferas nacional, estadual e municipal; (2) setor privado; e (3) terceiro setor.
Para a análise dos dados qualitativos as respostas foram sistematizadas em categorias temáticas conforme o questionário aplicado (Ryan & Bernard, 2000). Este processo de categorização permitiu a identificação e o agrupamento das informações em tópicos específicos. Além disso, foi aplicada a Análise de Discurso para aprofundar a compreensão da percepção dos interlocutores, assim como o método de Triangulação que permitiu cruzar e verificar as informações obtidas por meio das diferentes metodologias. Após esta etapa foi aplicada estatística descritiva básica para sintetizar e apresentar os dados quantitativos.
Destaca-se que as Tabelas 01 e 02 foram construídas a partir do agrupamento de temáticas emergentes identificadas em diferentes momentos do campo, oriundas de entrevistas, observações e registros em diário. Por não derivarem de questões fechadas, mas de padrões discursivos recorrentes consolidados via análise e triangulação, tais categorias não permitem a apresentação de frequências amostrais diretas (n), constituindo, portanto, uma síntese interpretativa dos conteúdos compartilhados entre os interlocutores.
Figura 1. Região metropolitana do estado do Espírito Santo (ES) defronte o mar, localizado no sudeste do Brasil.
Fonte: autoria própria.
Os entrevistados (n = 36) foram classificados nas categorias gestão pública (58%; n=21), setor privado (22%; n=8) e terceiro setor (20%; n=7), sendo esse número amostral adequado, uma vez que, em conformidade com Mason (2010), em estudos qualitativos de percepção sociocultural, a saturação teórica tende a ser alcançada em torno de 30 entrevistas, ponto a partir do qual a inclusão de novos participantes passa a apresentar rendimentos analíticos decrescentes, com baixa incorporação de informações substantivamente novas. No âmbito da gestão pública, os entrevistados atuam nas esferas municipal (n=12), estadual (n=4) e instituições públicas diversas a nível federal (n=5). No setor privado (n=8), os entrevistados estão diretamente envolvidos com o turismo de observação de baleias (n=2) e em empresas ou microempreendimentos relacionados ao turismo (n=6). No terceiro setor (n=7), as entrevistas incluem representantes de organizações de conservação (n=5) e grupos da sociedade civil (n=2).
A maioria dos interlocutores (n= 27) considera que o turismo de observação de baleias exerce interferência positiva na economia local. Dentre as interferências destacadas são descritas 1) movimentação econômica fora da alta temporada nos setores de hotelaria, alimentação e transporte; 2) geração de trabalho e renda para comunidades locais e tradicionais; e 3) atração de turistas de outras regiões, o que promove a visibilidade e o desenvolvimento local. Por outro lado, alguns entrevistados (25%; n=9) avaliam que a interferência é insignificante ou inexistente sendo as razões 1) a falta de divulgação e estrutura adequada; 2) a atividade ainda é restrita; e 3) uma atividade pontual não interfere tanto no Produto Interno Bruto (PIB).
A iniciativa privada se destaca como o setor que mais reconhece o potencial econômico do turismo de observação de baleias como uma atividade que movimenta a cadeia mesmo fora da alta temporada. De fato, esta atividade pode ser considerada em ações estratégicas para gerar fluxos econômicos em períodos tradicionalmente de baixa visitação. Isso estimularia alguns setores como por exemplo, hotelaria, alimentação e transporte. Esse fenômeno é especialmente notável em destinos costeiros, onde o turismo sazonal tende a ser concentrado em épocas específicas, e atividades alternativas, como a observação de cetáceos, podem funcionar como catalisadores para manter a demanda turística ao longo do ano (Higham & Lusseau, 2008).
Tabela 1. Percepção das categorias de stakeholders sobre a interferência econômica do turismo de observação de baleias no Espírito Santo, sudeste do Brasil. Categorias derivadas de análise temática e triangulação de dados, representando padrões interpretativos recorrentes, e não frequências amostrais diretas.
Interferência econômica |
Gestão Pública |
Iniciativa Privada |
Terceiro Setor |
Contribuição para a cadeia produtiva (e.g. rede hoteleira, bares, restaurantes e transporte) |
X |
X |
X |
Geração de renda e emprego |
X |
X |
X |
Movimentação econômica em temporadas fora de época (inverno) |
X |
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|
Desenvolvimento do comércio local |
X |
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|
Agrega valor à comunidade |
X |
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Fluxo turístico |
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X |
Qualificação da população |
X |
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Sem interferência econômica |
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Impacto restrito |
X |
X |
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Falta de promoção |
X |
|
X |
Falta de divulgação |
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|
X |
Carência de pontos de observação |
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|
X |
Carência de embarcações homologadas |
|
|
X |
Atividade pontual |
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|
X |
Estrutura inadequada |
X |
|
|
Fonte: autoria própria.
Outro fator destacado pelos interlocutores é a geração de emprego e renda para as comunidades adjacentes, associada à capacitação de mão de obra local e à inserção nos serviços de hospedagem, alimentação e demais segmentos da cadeia turística. A inclusão dessas comunidades nas atividades turísticas reforça o papel do turismo de base comunitária, que visa integrar populações locais nas dinâmicas econômicas e culturais, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação ambiental (Snyder & Sulle, 2011). Isso reduz a dependência de grandes operadores turísticos externos e permite que o controle sobre o uso dos recursos naturais e das tradições culturais se mantenha junto aos atores locais (Snyder & Sulle, 2011).
Entretanto, entre os interlocutores uma minoria considera que a interferência do turismo de observação de baleias na economia é insignificante ou inexistente. Entre os que sustentam essa percepção, está o Terceiro Setor, cuja percepção pode estar ligada à visão crítica sobre os impactos econômicos tangíveis da atividade e sobre sua real capacidade de modificar substancialmente o Produto Interno Bruto (PIB) da região. Como expresso por um dos interlocutores, “é muito pretensioso achar que uma atividade ainda pontual consiga gerar impacto real no PIB; pra isso acontecer de fato, teria que ter mais pontos de observação ao longo do litoral, como Guarapari, Vila Velha, Aracruz, Presidente Kennedy (...) até uma rota organizada de avistamento, como uma rede de escunas funcionando no estado”. No caso específico do turismo de observação de baleias, é frequente a crítica de que a atividade, embora benéfica, ainda é restrita a grupos pequenos de turistas e, portanto, não alcança um volume suficiente para gerar mudanças estruturais significativas na economia regional (Hofeldt, 2012). Essa crítica revela a necessidade de se pensar o ecoturismo não apenas como uma fonte isolada de renda, mas como parte de um modelo integrado de desenvolvimento sustentável, no qual atividades econômicas se complementam e se reforçam mutuamente, promovendo a resiliência econômica das comunidades costeiras.
Para 86% (n=31) dos interlocutores o turismo de observação de baleias exerce interferência significativa em âmbito social e cultural. Esta interferência inclui a mudança das relações das pessoas com o ambiente, o aumento da mentalidade marítima sobre biodiversidade, a valorização de tradições e culturas locais, e a promoção de um sentimento de pertencimento e responsabilidade ambiental. Como destacado por um dos interlocutores, “o turismo pode mudar a forma como as pessoas enxergam um lugar (...) em áreas como Jesus de Nazareth, por exemplo, ele pode ajudar a dar visibilidade e reconhecimento social a uma comunidade que muitas vezes é marginalizada”. Além dos benefícios econômicos e ambientais, a percepção dos interlocutores sugere que a prática tem o potencial de promover mudanças culturais significativas, conforme outro participante, “quando a gente vivencia um evento ambiental assim, isso muda a forma como a gente se relaciona com o ambiente (...) é uma mudança cultural mesmo, a partir do momento que a pessoa se apropria mais do mar, ela passa a perceber e valorizar muito mais esse espaço.”.
As percepções sobre os fatores que interferem na implementação do turismo de observação de baleias no Espírito Santo revelam desafios interligados nas áreas estrutural, institucional e política (Tabela 2). Por outro lado, as vantagens destacam o potencial do estado como um destino promissor para o ecoturismo, com a proximidade da plataforma continental, a presença sazonal de baleias-jubarte, uma infraestrutura turística consolidada e sua localização estratégica no Sudeste (Tabela 2).
Tabela 2. Desafios e vantagens no desenvolvimento do turismo de observação de baleias no Espírito Santo, sudeste do Brasil, conforme as categorias de stakeholders. Categorias derivadas de análise temática e triangulação de dados, representando padrões interpretativos recorrentes, e não frequências amostrais diretas.
Desafios |
Gestão Pública |
Iniciativa Privada |
Terceiro Setor |
Falta de infraestrutura |
X |
X |
X |
Falta de legislação |
X |
|
|
Falta de apoio governamental |
X |
X |
|
Escassez de píer público |
|
X |
X |
Necessidade de investimento |
|
X |
X |
Falta de embarcações homologadas |
|
X |
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Condições climáticas |
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X |
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Necessidade de divulgação |
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X |
Percepção econômica e cultural do estado |
|
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X |
Vantagens |
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Condições naturais dos cetáceas |
X |
X |
X |
Vocação turística |
X |
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Localização estratégica |
X |
X |
X |
Características da plataforma continental |
X |
X |
|
Benefícios econômicos e culturais |
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|
X |
Fonte: autoria própria
A falta de infraestrutura, como píeres adequados e embarcações homologadas, associada à ausência de políticas públicas claras, limita o potencial turístico. Esses fatores estão alinhados com desafios típicos de atividades de ecoturismo em regiões onde a infraestrutura é insuficiente e a falta de regulamentação podem desestimular sua implementação (Wearing et al., 2014). A ausência de políticas públicas específicas e de apoio governamental também foi identificada como um obstáculo central. Políticas eficazes de governança ambiental são fundamentais para a implementação de práticas ecoturísticas sustentáveis, pois elas facilitam a cooperação entre os diferentes stakeholders e asseguram que normas de conservação sejam cumpridas.
Além disso, os altos custos de investimento e a sazonalidade da atividade foram mencionados como fatores limitantes. Estudos sobre a economia do turismo mostram que, em atividades altamente dependentes de fatores sazonais, como a observação de baleias, os riscos de investimento aumentam devido à imprevisibilidade da demanda e à necessidade de capital contínuo para manter a infraestrutura operacional durante o ano todo (Garrod & Fennell, 2004). A sazonalidade também é um aspecto que pode ser agravado pela falta de qualificação dos prestadores de serviços, uma vez que a ausência de profissionais capacitados tende a limitar a oferta de experiências de qualidade, resultando em um menor engajamento por parte dos turistas.
Por outro lado, as vantagens naturais e geográficas destacadas pelos interlocutores são fundamentais para a exploração sustentável dessa atividade no estado do ES. A proximidade das baleias à costa e a presença do grande número de baleias aumentam o potencial de atração turística da região. Regiões com fácil acesso às áreas de concentração de cetáceos apresentam uma vantagem competitiva no desenvolvimento do turismo de observação de baleias, uma vez que isso facilita o deslocamento dos turistas e reduz os custos operacionais. Ainda existe o fator da localização estratégica do estado do ES, como outro ponto favorável que também contribui para a implementação da atividade, pois pode atrair turistas tanto de estados vizinhos quanto do exterior. Destinos turísticos bem posicionados geograficamente podem se beneficiar do turismo de natureza, especialmente quando associados a espécies carismáticas como as baleias-jubarte (Dwyer et al., 2020).
Apesar das divergências de percepção entre os setores, há um consenso sobre a importância do turismo de observação de baleias na integração da atividade ao desenvolvimento econômico. Contudo, a fragmentação institucional revela lacuna na governança ambiental que impacta a eficácia do incremento deste turismo como ramo econômico sustentável. Esse cenário indica a necessidade de maior articulação entre as instituições. Portanto, o turismo de observação de baleias surge como potencial significativo ao fortalecimento de turismo local sustentável. Entretanto, para que esse potencial seja efetivamente alcançado é imperativo desenvolver estratégias integradas que promovam a acessibilidade da atividade a diferentes segmentos da população, garantam a participação de comunidades locais e assegurem o mínimo de impacto. Recomenda-se, ainda, que estudos futuros se dediquem a investigar as interferências de longo prazo dessa prática, a fim de orientar a formulação de políticas públicas mais robustas e efetivas ao incremento da atividade.
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1 Apoio financeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo – FAPES (Nº FAPES: 166/2023 – EDITAL Nº 11/2021); Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ/PQ (Processo: 304179/2022-1).
2 Bióloga, Mestre em Oceanografia Ambiental. Grupo Ecologia Humana do Oceano, Universidade Federal do Espírito Santo. http://lattes.cnpq.br/5869807379230270.
3 Turismólogo, Mestre em Gestão Pública. Secretaria de Estado do Turismo do Espírito Santo. http://lattes.cnpq.br/8310378625559532.
4 Bióloga. Doutora em Ecologia e Recursos Naturais. Grupo Ecologia Humana do Oceano, Universidade Federal do Espírito Santo. http://lattes.cnpq.br/0217232489124641.