Recebido em: 13.03.2026
Aprovado em: 10.04.2026
Avaliado pelo: Sistema Double Blind Review
UM TRAÇADO SOBRE AS RUAS AO ENTORNO DO TEATRO
AMAZONAS, E O QUE ELAS TRAZEM DE HISTÓRIA
AN OUTLINE OF THE STREETS SURROUNDING THE AMAZONAS THEAT AND THE HISTORY THEY HOLD
Maria Adriana Sena Bezerra Teixeira1
E-MAIL: msteixeira@uea.edu.br
ORCID: https://orcid.org/0009-0005-3521-0310
Paula Cristina Pereira Rodrigues Chaves2
E-MAIL: pchaves@uea.edu.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1380-5628
Aline Santos Nobre3
E-MAIL: asn.alinenobre@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0009-2488-6487
RESUMO
Abordar sobre as ruas ao entorno do Teatro Amazonas, se tem em mente que estes espaços são preservados, permitindo uma grande socialização como, também, um processo equitativo. Vale deixar claro que as ruas são um lugar de memórias e de elevação de identidade. Sendo assim, este estudo visa analisar o traçado das ruas ao entorno do Teatro Amazonas, e o que elas representam historicamente. No que refere a forma de abordagem é qualitativa, e os objetivos são exploratórios e descritivos. Logo, os resultados permitiram uma reflexão, devido à ausência do poder público em cuidar das ruas e dos bens culturais existentes. Isto porque, muitos não existem mais, e aí se pergunta onde se encontra o belo das ruas e a história destes lugares? Pensa-se que não se pode abordar sobre pertencimento se alguns patrimônios não existem mais, e se observa que boa parte da população desconhece estes valores. Em razão de não se obter a disciplina de História do Amazonas nos ensinos fundamental e médio, e desta maneira se identifica que é impossível gerar identidade pelas ruas e pelos patrimônios existentes nestes lugares. Nota-se que somente o largo de São Sebastião na frente do Teatro Amazonas é mais valorizado, e frequentado devido aos atrativos de lazer ao entorno. Nota-se que a preservação dos patrimônios existentes não é eficaz, e assim não conseguimos observar o belo das ruas.
Palavras-chave: Ruas. Identidade. Patrimônio cultural. Teatro Amazonas.
ABSTRACT
The streets surrounding the Amazon Theatre are recognized as preserved urban spaces that promote social interaction, collective memory, and strengthening local identity. This study aims to analyze the layout of the streets surrounding the Amazon Theatre and examine their historical significance. The research adopts a qualitative approach with exploratory and descriptive objectives. The findings reveal a lack of effective public policies for the preservation of streets and cultural heritage, resulting in the loss of important historical assets and weakening the population's sense of belonging. Furthermore, the absence of the History of Amazonas as a subject in elementary and secondary education contributes to the limited recognition of the cultural and historical value of these spaces. The study also highlights that only Largo de São Sebastião, located in front of the Amazon Theatre, receives greater appreciation and public use due to the leisure attractions available in its surroundings. It is concluded that the current preservation efforts are insufficient to ensure the protection of the existing heritage and to promote the appreciation of the historical and cultural significance of these streets.
Keywords: Streets. Identity. Cultural Heritage. Amazon Theatre.
Compreende-se que os patrimônios culturais dos grandes centros das cidades brasileiras representam a identidade de um lugar, e os valores históricos que elevam o turismo. Nas palavras dos autores Camilo e Bah (2017), os patrimônios servem como fonte econômica para localidade e afinidade para eles.
Pensa que as ruas são importantes devido aos patrimônios materiais e imateriais que existem, e além de tudo traçam a identidade de um lugar. Isto porque devemos pensar preservar, em razão de as mesmas representarem um entendimento do passado e dos dias atuais. Diante disto, se incentivou a estudar e entender a relevância das ruas ao entorno do Teatro Amazonas.
A escolha das ruas ao entorno do Teatro Amazonas é devido ao Patrimônio Cultural representar a história do lugar no período áureo da borracha, o qual se construiu vários prédios que formam a herança de uma época rica conhecida como Páris dos Trópicos.
Acredita-se que este assunto seja interessante por abordar uma temática que destaca a importância das ruas para quem visita e quem é visitado. Além de tudo, é através de estudos que se chama atenção de pesquisadores, comunidade, poder público e outros.
O objetivo geral deste estudo é analisar o traçado das ruas ao entorno do Teatro Amazonas, e o que elas representam historicamente. Já os objetivos específicos são: Identificar as ruas com maior grau de relevância histórica e com perspectiva de conjunto.
No que refere a forma de abordagem é qualitativa, devido realizar um estudo profundo que faz parte de uma pesquisa maior. Já objetivos metodológicos são exploratórios devido buscar entender melhor o assunto, e descritivo por identificar o porquê dos fenômenos.
O processo de coleta de dados ocorreu por estudo de gabinete e in loco, o qual se analisou o estado das ruas como, também, suas perspectivas de conjunto. O instrumento de coleta procedeu por meio de um fichamento que caracteriza ambiência histórica, tipologia das edificações, estilo arquitetônico, mídias interpretativas e outras. E quanto ao método considera observacional e hipotético dedutivo.
O processo de estudo se encontra dividido em: Introdução (Problemática de Pesquisa, Justificativa; Objetivos e Metodologia); Desenvolvimento; Resultados e Discussões e Considerações Finais
Os autores Israel, Gianella, França e Caldana (2021), declaram que as ruas é o lugar de definição dos caminhos, das trocas comerciais, dos encontros, do “ver e ser visto”, e de muitos sentidos. Sua forma e seu desenho são reveladores no que tange os traços da identidade urbana, e das suas respectivas sociedades que as transformam e as preenchem de significados.
Entende-se que as ruas associadas aos patrimônios culturais representam a história do lugar, e ao mesmo tempo perpassam de geração em geração e passam a ser um processo simbólico, ou seja, formam uma produção de sentidos e significados.
Pensa-se que cuidar das ruas que tem ao entorno patrimônios culturais é salutar para comunidade, em razão de garantir a história de um lugar. Através das palavras do autor Pesavento (2008), se compreende que a cidade é o produto da produção constante do cotidiano, e o ato prático de significar os espaços da cidade é, também, uma ação identitária que deixa marcas, fica na memória.
Vale lembrar que as ruas é um lugar de histórias e memorias, o qual ao transitarmos trabalhamos a imagem e imaginário. O autor Dantas (2021), enfatiza que o ato de ocupar e transitar é, nessa lógica, uma forma de contar uma história e de escrever a própria retórica.
Ao transitarmos nas ruas do centro de Manaus encontramos detalhes de uma época rica que foi o período da borracha, e imaginamos quanto foi interessante está época por meio das construções que era para suprir o luxo dos europeus.
Existem ruas ao entorno do Teatro Amazonas que carregam um legado histórico interessante que auxiliam a entender melhor o passado, e a relevância de se preservar para geração futura.
Acredita-se que para população ter registros, é necessário aprender com os nossos antepassados, e assim formar uma narrativa do que somos hoje. Declaro que ao passar pelas ruas se cria registros, e muitas vezes conseguimos entender como era determinado período, e tudo que existia.
As ruas do centro de Manaus carregam patrimônios culturais lindos, mas infelizmente somente doze são tombados perante Oliveira (2024). Entretanto, se lamenta o pouco quantitativo de imóveis tombados na cidade, pois existem vários que são ricos em história como arquitetura.
Neste estudo vamos citar três ruas ao entorno do Teatro Amazonas tais como: Leonardo Malcher, Getúlio Vargas e Ramos Ferreira. No que se refere a grande parte dos imóveis da rua Leonardo Malcher são de cunho comercial e parcialmente modificado, e infelizmente totalmente modificado, e desta forma é uma área sem muito registro histórico. E sendo assim, não é considerada turística devido não possuir serviços turísticos em especial cadastrados no Cadastro de Pessoas Físicas e Jurídicas que atuam no serviço Turístico (CADASTUR). Outro fator, é devido não ter nenhum atrativo turístico como: Museus, Restaurantes Regionais, Agências, Hotéis e outros serviços.
A rua Leonardo Malcher não possui estrutura de acessibilidade, e nem identificação de registros nos imóveis parcialmente modificados. Afinal, se percebe como um lugar de acesso e não de socialização, e tão pouco de lembranças.
A Avenida Getúlio Vargas encontra-se atualmente amplamente modificada, marcada pela presença de muitos prédios comerciais. Os imóveis localizados na via e registrados no Decreto nº 7.176, de 10/02/2004 — Capítulo II, Das Unidades de Preservação, Artigo 4º, Item II, 2º grau, apresentam inúmeras intervenções para se adaptar ao estilo contemporâneo, já que a maioria passou a abrigar atividades comerciais. Essas alterações, embora funcionais, descaracterizam parte de seus elementos originais e comprometem a leitura histórica do conjunto.
A Avenida Getúlio Vargas apresenta um panorama em que a preservação patrimonial se mistura a inúmeras intervenções contemporâneas. Muitos imóveis tiveram suas cores alteradas ao longo do tempo, comprometendo parte de sua integridade histórica. Ainda assim, em alguns trechos, mesmo diante de modificações estéticas, é possível identificar elementos arquitetônicos que permitem a leitura parcial da memória urbana. Contudo, a ausência de diretrizes de conjunto e a realização de intervenções isoladas fragilizam a unidade visual do logradouro, dificultando a percepção integrada de seu patrimônio.
Avenida Getúlio Vargas traz recordações não só pelos poucos patrimônios existentes, mas pelos atrativos dos clubes que retrataram carnavais memorais, pelos cinemas, circulação de estudantes entre outros. Diante disto, a Getúlio Vargas ela sempre vai ser observada e narrada pelo pouco que existe, e pelos dados históricos que já tiveram.
A rua Ramos Ferreira, é uma das poucas que apresenta perspectiva de conjunto, pois apenas nas mediações da praça do Congresso onde estão situados o Instituto de educação do Amazonas (IEA), a Escola Benjamin Constant e o edifício que abriga a Academia de Letras do Amazonas.
A via é lembrada pelos encontros estudantis, manifestações culturais, barzinhos e outros. E ainda na praça congresso possui mídias interpretativas através de placas metálicas com informações sobre os bustos e imagem.
As vias analisadas poderiam ser mais bem cuidadas, pois a cultura local ecoaria e a população propagaria mais a identidade, o qual é importante para representatividade de um lugar e para elevação do turismo.
Um fato que se pode deixar claro que as devidas ruas investigadas foram importantes, e ainda são consideradas relevantes para quem deseja propagar o turismo. Diante disto, a infraestrutura das ruas e dos patrimônios causam satisfação tanto para quem visita e quem é visitado, mas se pensa que a população fosse incluída e com conhecimento sobre a importância da história não teríamos tantos prédios históricos demolidos, danificados, modificados e outros.
Barretto (2004), destaca que o turismo é uma atividade realizada por homens em sociedade, e é interessante o visitado passar o processo cultural qual o visitante busca. Assim perante autora, o turista valoriza as apresentações culturais e reforça a identidade do lugar.
Analisa-se que como podemos elevar a identidade do lugar, se a população não é incluída como deveria, pois não tem noção do valor de seus patrimônios e de sua história.
Desenvolver este estudo nos traz memórias da infância, juventude e todas as trocas realizadas nestes espaços. Entender a cultura nos remete a valorizar, manter as tradições que definem a identidade de uma sociedade, e sendo assim seria melhor se a comunidade atual estivesse incluída desde os fatos históricos relatados em sala de aula. Assim, se colecionariam memórias e identidade.
Compreende-se que as ruas, também, nos remetem a lembranças e principalmente as que contêm registros históricos. Isto porque, faz parte da construção histórica de uma sociedade, pois sem as ruas seria impossível as pessoas transitarem e criarem laços humanísticos e memórias. Diante disto, é interessante que poder publico valorize os patrimônios e incluía melhor a população.
O autor Carvalho (2025), afirma que as histórias das populações das cidades muitas vezes se confundem com a história da rua onde residem. A rua é o local onde várias gerações convivem mutuamente ou não, onde estão presentes histórias do presente e do passado. E faz todo sentido ao transitarmos nas principais vias, e o autor deixa claro que o passado ficou registrado nas ruas, através da arquitetura e da memória das pessoas mais velhas que viveram há muito tempo naquele lugar. O tempo presente é o mover constante da história vivida cotidianamente pelos habitantes e transeuntes das ruas.
O que foi negativo neste estudo foi verificar a falta de cuidado do poder público com alguns patrimônios culturais, e principalmente com as ruas que auxilia o deslocamento tanto de visitantes como de visitados. Logo, se notou ruas com ausência de lixeiras, calçadas quebradas, esgoto aberto, falta de sinalização, iluminação e acessibilidade.
É interessante que o gestor municipal de Manaus tenha mais cuidado com as ruas, pois existe nelas uma história e representatividade para história do local. Isto porque representam a história do lugar como, também, são espaços culturais, lazer e outros.
Crê que seja salutar cuidar das ruas, e principalmente daquelas que contém maior concentração histórica em razão de valorizar a identidade do lugar. Afinal, é a manutenção da história e mantê-la viva.
Considera interessante promover campanhas de conscientização de preservação dos patrimônios, que visam proteger e garantir para futuras gerações. Afinal, o patrimônio cultural é conjunto de bens, materiais e imateriais, que possuem valor para a memória, identidade, história, arte, ciência, estética e outros.
Avalia que uma cidade que deseja trabalhar o turismo deve ter acessibilidade, visto que não se transita somente pessoas ditas normais. Enfim, se deve cumprir com a Lei Nº 13.146, de 06 de julho de 2015 que garante no Art. 1º assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.
Ao valorizar e promover ações sociais, políticas e ambientais responsáveis, podemos construir uma sociedade mais justa e equitativa, deixando um legado de esperança e progresso.
Apesar da cidade possuir uma marca forte como amazônica ainda não consegue oferecer toda estrutura que uma cidade turística precisa, pois Produto Turístico é a junção do Patrimônio Natural e Cultural qual a capital detêm, mas ainda não tivemos gestores comprometidos para elevar o turismo na região.
Notas explicativas
1. Paris dos Trópicos foi dada devido a influência das cidades europeias inclusive a França a capital amazonense, e podem ser vistas até hoje como o Teatro Amazonas.
2. O tombamento é o instrumento de reconhecimento e proteção do patrimônio cultural mais conhecido, e pode ser feito pela administração federal, estadual e municipal. Em âmbito federal, o tombamento foi instituído pelo Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, o primeiro instrumento legal de proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro e o primeiro das Américas (Oliveira, 2024).
3. Dr. Leonardo Antônio Malcher foi major, engenheiro de formação, filho de Antônio Clemente Malcher, nasceu em Belém (Pará) no dia 06 de novembro de 1829, falecendo em 29 março de 1913 na sua residência na rua 24 de Maio.
4. Getúlio Dornelles Vargas foi um advogado, político e presidente do Brasil nascido na cidade de São Borja (RS), no dia 19 de abril de 1882 e falecido em 24 de agosto de 1954.
5. Ramos Ferreira foi 1º vice-presidente da província do Amazonas, nomeado por carta imperial de 4 de maio de 1866, de 24 de junho a 7 de novembro de 1866.
BARRETTO, Margarita. Relações entre visitantes e visitados: um retrospecto dos estudos socioantropológicos. Revista Turismo e Análise, v. 15, n. 2, 2004. Disponível em: https://revistas.usp.br/rta/pt_BR/article/view/62663/65458. Acesso em: 11 mar. 2026.
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OLIVEIRA, Diego. 12 patrimônios históricos e culturais tombados para conhecer em Manaus. Portal Amazônia, 15 mar. 2024. Disponível em: https://portalamazonia.com/cultura/12-patrimonios-historicos-e-culturais-tombados-para-conhecer-em-manaus/. Acesso em: 11 mar. 2026.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. História, memória e centralidade urbana. Revista Mosaico, v. 1, n. 1, p. 3-12, 2008.
1 Docente do curso de Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Doutora em Educação; Mestre em Turismo.
2 Professora e pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Doutora em Turismo e Hotelaria.
3 Mestre em Ciências Humanas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); pesquisadora voluntária e orientadora de Trabalhos de Conclusão de Curso em Gestão do Turismo.