Shape2



Recebido em: 13.03.2026

Aprovado em: 10.04.2026

Avaliado pelo: Sistema Double Blind Review


ANÁLISE DO TURISMO GOIANO NA PNAD CONTÍNUA 2024: DESIGUALDADES E DESEMPENHO TERRITORIAL


ANALYSIS OF TOURISM IN GOIÁS IN THE 2024 CONTINUOUS PNAD: INEQUALITIES AND TERRITORIAL PERFORMANCE


Amanda Alves Borges1

E-MAIL:  amanda.borges@usp.br

ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6270-5389


Carlos Henrique Pereira de Freitas2

E-MAIL: carlos.economia@outlook.com

ORCID: https://orcid.org/0009-0006-5105-9725


Amanda Sueli Madeira Pereira3

E-MAIL: profa.amanda.madeira@gmail.com

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4591-5816

Jordana de Souza Cavalcante4

E-MAIL: jordanacavalcante@usp.br

ORCID:https://orcid.org/0000-0002-5784-4250


RESUMO

O estudo analisa o turismo em Goiás a partir dos dados da PNAD Contínua – Turismo 2024, investigando o desempenho territorial do estado e as desigualdades de acesso às viagens. Utilizou-se abordagem quantitativa, baseada em estatística descritiva, articulada à análise interpretativa fundamentada nos conceitos de capital econômico e mobilidade social. Os resultados evidenciam que apenas 18,1% dos domicílios goianos realizaram viagens em 2024, percentual próximo à média nacional (19,3%), confirmando a persistência de barreiras econômicas ao acesso ao turismo. Apesar da baixa participação dos residentes em viagens, Goiás destaca-se como o 8º destino mais visitado do país e o principal receptor turístico da região Centro-Oeste, concentrando quase metade dos fluxos regionais. Observa-se, entretanto, uma assimetria entre turismo emissivo e receptivo, caracterizada pelo maior gasto médio dos goianos em viagens realizadas para outros destinos, indicando vazamento de consumo turístico. As viagens são predominantemente domésticas, motivadas por visitas a familiares, lazer e saúde, com predominância do transporte rodoviário individual e da hospedagem em casas de parentes e amigos. Conclui-se que Goiás reúne condições favoráveis para fortalecer o turismo interno, especialmente nos segmentos de natureza, ecoturismo, aventura, cultura e gastronomia, sendo recomendadas políticas públicas voltadas à democratização do acesso ao turismo, ao estímulo às viagens intra regionais e ao fortalecimento da inteligência turística para subsidiar o planejamento territorial.

Palavras-chave: Turismo brasileiro. Desigualdades de acesso. Desempenho territorial. PNAD Turismo. Goiás.


ABSTRACT

This study analyzes tourism in the state of Goiás based on data from the 2024 Continuous National Household Sample Survey (PNAD Continuous – Tourism), focusing on territorial performance and inequalities in access to travel. A quantitative approach based on descriptive statistics was combined with an interpretative analysis grounded in the concepts of economic capital and social mobility. The findings show that only 18.1% of households in Goiás traveled in 2024, a proportion close to the national average (19.3%), highlighting the persistence of economic barriers to tourism participation. Despite the low travel propensity among residents, Goiás ranks as the eighth most visited destination in Brazil and the leading tourism destination in the Central-West region, concentrating nearly half of the regional tourist flows. However, an imbalance between outbound and inbound tourism was identified, as residents spend more on trips to other destinations than visitors spend within the state, indicating tourism expenditure leakage. Travel is predominantly domestic and mainly motivated by visits to relatives and friends, leisure, and health, with private road transportation and accommodation in relatives' or friends' homes prevailing. The study concludes that Goiás has significant potential to strengthen domestic tourism, particularly in nature-based tourism, ecotourism, adventure tourism, cultural tourism, and gastronomy. It recommends public policies aimed at democratizing access to tourism, encouraging intraregional travel, and strengthening tourism intelligence to support territorial planning.

Keywords: Brazilian tourism. Inequalities in tourism access. Territorial performance. PNAD Tourism. Goiás.


1. INTRODUÇÃO


A persistência das desigualdades sociais no Brasil materializa-se de forma particular no acesso ao turismo. Embora o setor movimenta R$ 22,8 bilhões anuais em 2024(IBGE, 2025), apenas 19,3% dos domicílios brasileiros registraram viagens no mesmo período, revelando um paradoxo central: o turismo cresce economicamente, mas permanece socialmente seletivo. Este cenário configura o turismo como prática de distinção, conforme desenvolvido por Pierre Bourdieu (1998), para quem as práticas culturais e de lazer estão associadas às distintas formas de capital, especialmente o capital econômico.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em convênio com o Ministério do Turismo, incorporou o módulo de turismo com o objetivo de mensurar deslocamentos, gastos e características das viagens realizadas pelos brasileiros, tanto no território nacional quanto para o exterior. A PNAD trata-se de levantamento amostral domiciliar de abrangência nacional, com representatividade estatística para unidades da federação e regiões, que coleta informações sobre viagens realizadas, gastos, motivações e características socioeconômicas dos domicílios.

A literatura especializada reconhece que o turismo não se distribui de forma homogênea na sociedade. Para Bourdieu (1998), práticas culturais e de lazer exigem liquidez financeira e tempo. Urry (2001) e Sheller e Urry (2006) argumentam que as mobilidades contemporâneas refletem hierarquias sociais e estruturam desigualdades no acesso aos deslocamentos. Assim, viajar constitui prática social condicionada por renda, tempo disponível e inserção em redes de sociabilidade. Neste contexto, a PNAD realizada pelo IBGE constitui a principal fonte de dados para compreender essa dinâmica em escala nacional.

Os dados da PNAD Turismo 2024 revelam esse cenário dual. Em âmbito nacional, apenas 19,3% dos domicílios registraram viagens em 2024; em Goiás, o percentual foi de 18,1%. Embora o turismo apresenta relevância econômica crescente, o acesso às viagens permanece restrito a uma parcela minoritária da população.

Este estudo tem como objetivo analisar os fluxos turísticos de 2024 com foco no desempenho territorial de Goiás, discutindo simultaneamente sua posição no cenário nacional e as desigualdades estruturais associadas ao acesso às viagens. O estado de Goiás configura-se como caso emblemático: ao mesmo tempo em que se consolida como destino estratégico no ranking nacional, apresenta baixa propensão a viagens entre seus moradores e assimetrias significativas entre turismo emissivo e receptivo.



2. METODOLOGIA


O presente estudo combina a análise de dados por meio de estatística descritiva com análise interpretativa (Creswell, 2018), como percentuais, frequências absolutas e médias, articulando os achados empíricos às categorias teóricas de capital econômico (Bourdieu, 1998) e mobilidade social (Urry, 2001), oriundos do Módulo de Turismo da PNAD Contínua 2024.

Conforme a documentação metodológica do IBGE (2024), o referido módulo temático foi estruturado com o propósito de quantificar os fluxos turísticos domésticos inter-regionais e internacionais, capturando variáveis relativas aos padrões de gastos e às características sociodemográficas das viagens realizadas pela população brasileira.

O tema Turismo vem sendo investigado na PNAD Contínua desde 2019, sendo relevante apontar que cada domicílio selecionado para responder à pesquisa pode relatar no máximo cinco viagens e que, dentre estas, apenas três foram investigadas em todas as suas características (três das quais ocorreram os maiores gastos), significando que os indicadores se referem no máximo a três viagens por domicílio.

O Observatório da Goiás Turismo monitora os dados do estudo desde sua primeira edição, produzindo um relatório detalhando as características das viagens de brasileiros e goianos. Importante salientar que os dados da PNAD Contínua – Turismo 2024 foram divulgados pelo IBGE em outubro de 2025; por esse motivo, o ano deste estudo é 2024 (OBSERVATÓRIO DO TURISMO DE GOIÁS, 2026).

Para o presente estudo procedeu-se à análise de indicadores relativos à ocorrência de viagens domiciliares, volume de deslocamentos, distribuição nacional e internacional, motivos das viagens, meios de transporte, hospedagem, gastos médios, permanência e posicionamento de Goiás no ranking nacional. A análise adota abordagem interpretativa, articulando dados empíricos às contribuições teóricas sobre desigualdades sociais e turísticas.


3. RESULTADOS E DISCUSSÕES


Os dados evidenciam que viajar permanece uma prática seletiva no Brasil. Em 2024, apenas 19,3% dos domicílios brasileiros registraram viagens, percentual que cai para 18,1% em Goiás, indicando que o estado reproduz, em magnitude semelhante, a baixa propensão nacional aos deslocamentos turísticos. O Gráfico 1 demonstra a correlação entre renda e viagens.


Gráfico 1 – Viagens em Domicílios no Brasil por rendimento mensal domiciliar per capita

Fonte: IBGE, 2024.


Observa-se, no Gráfico 1, que a proporção de domicílios que realizaram viagens aumenta conforme a renda cresce; em sentido inverso, nas faixas de menor renda amplia-se a participação dos que não viajaram. Enquanto 45,7% dos domicílios com renda superior a quatro salários mínimos viajaram, nas faixas de menor renda essa participação cai para 10,4%. Nesse contexto, o turismo opera como mecanismo de distinção social, ao demarcar aqueles que conseguem mobilizar recursos para o lazer daqueles excluídos por barreiras econômicas estruturais. Tal evidência dialoga com Bourdieu (1998), para quem as práticas de lazer expressam o habitus de classe e o capital econômico disponível. Esse padrão também se conecta aos motivos de não realização da viagem apresentados no Gráfico 2.


Gráfico 2 – Motivos de nenhum morador ter viajado no Brasil e Goiás

Fonte: IBGE, 2024.


O Gráfico 2 evidencia que o principal motivo para não viajar é a falta de dinheiro, seguido por falta de tempo, ausência de necessidade, falta de interesse, baixa prioridade atribuída à viagem e problemas de saúde. Assim, a principal barreira à realização de viagens é financeira: 39,2% dos brasileiros e 35,3% dos goianos apontam a falta de dinheiro como impedimento. À luz de Bourdieu (1998), os resultados sugerem que o acesso ao turismo se articula às condições objetivas de capital econômico, incidindo sobre as possibilidades de lazer e deslocamento. Desse modo, viajar permanece uma prática social condicionada pela renda e pelas condições materiais de vida.

Quanto ao volume de viagens, o Brasil registrou 20,5 milhões de deslocamentos em 2024, mantendo estabilidade pós-pandemia. Em Goiás, foram 634 mil viagens realizadas, número inferior ao de 2023, mas ainda acima do patamar pré-pandemia. O turismo doméstico predomina de forma expressiva: 96,7% das viagens dos brasileiros e 99,5% das goianas ocorreram dentro do próprio país, evidenciando forte inserção no mercado interno.

No recorte territorial, Goiás apresenta desempenho expressivo. O estado ocupa a 8ª posição entre os destinos mais visitados do Brasil, sendo o único da região Centro-Oeste entre os dez principais receptores nacionais. Concentra 49,6% das viagens destinadas à região e recebeu aproximadamente R$ 906 milhões em gastos turísticos (cerca de 4% do total nacional).

Contudo, a dinâmica regional evidencia desafios. O Centro-Oeste apresenta o menor índice de viagens intrarregionais do país (58,8%) e elevada preferência por deslocamentos ao Sudeste (20,9%) e ao Nordeste (12,4%), sinalizando maior propensão dos residentes a viajar para fora da própria região. Esse padrão é relevante para o planejamento, pois sugere que parte do consumo turístico associado aos moradores tende a se concentrar em destinos externos.

Esse movimento aparece também na comparação entre turismo emissivo e receptivo. Goiás recebeu mais viagens (741 mil) do que os goianos realizaram (634 mil). Observa-se ainda uma assimetria entre turismo emissivo e receptivo: o gasto médio do goiano em viagens (R$ 1.855) supera o gasto médio do visitante em Goiás (R$ 1.750), indicando vazamento de consumo turístico para outros destinos. Em relação aos gastos, o desempenho de Goiás acompanha o padrão nacional e posiciona o estado entre aqueles cujos moradores apresentam maior nível de consumo turístico. Trata-se de um achado com implicações diretas para políticas de estímulo ao consumo turístico interno e para estratégias de qualificação da oferta no estado.

No perfil das viagens, predominam motivações pessoais (90%), com destaque para visita a familiares e amigos (38,4%), lazer (29,5%) e saúde (24,4%). Esses dados indicam que o turismo se configura mais como prática de manutenção de vínculos sociais do que como consumo de serviços formais, sendo as viagens motivadas principalmente por visitas a familiares e atividades de lazer. O perfil de deslocamento evidencia predominância do transporte rodoviário individual, com o carro representando 59,6% das viagens realizadas por moradores do estado. Conforme Urry (2001), o automóvel configura não apenas meio de transporte, mas infraestrutura de mobilidade que estrutura as possibilidades de deslocamento das classes médias. A dependência da malha rodoviária individualiza o acesso e exclui aqueles sem acesso a veículo próprio.

A hospedagem em casas de amigos ou parentes (44,7%) também predomina, indicando forte caráter relacional e estratégias de redução de custos na realização das viagens. Os dados sugerem que o turismo em Goiás, tanto na emissão quanto na recepção, é viabilizado por redes de sociabilidade que permitem contornar gastos com hospedagem e alimentação. Isso distingue o padrão goiano do turismo de massa baseado em serviços comerciais.

A permanência média dos visitantes em Goiás foi de 6,6 noites, valor próximo à média nacional, o que sinaliza a possibilidade de consolidação de estadias mais longas e de maior internalização de gastos no destino. No recorte do turismo de lazer no Centro-Oeste, sobressaem as preferências por natureza, ecoturismo e aventura (33,9%), seguidas por sol e praia (32,9%) e cultura e gastronomia (23,6%). Nota-se, ademais, que apenas no Centro-Oeste a categoria natureza/ecoturismo/aventura figura como principal motivação, ao passo que, nas demais regiões, predomina sol e praia.

À luz desse padrão, o ecoturismo emerge como segmento coerente com as características territoriais de Goiás e com relevante potencial de expansão, indicando a pertinência de orientar a formulação de políticas e programas para a qualificação e a diversificação da oferta turística. Consideradas as preferências declaradas no Centro-Oeste, a ativação de fluxos em áreas naturais pode assumir centralidade, especialmente diante da existência de dois Parques Nacionais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Mundial Natural e de um conjunto de 13 parques estaduais e estações ecológicas, que concentram diversidade de fauna, flora e paisagens e, portanto, sustentam modalidades vinculadas ao ecoturismo e ao turismo de aventura.

De modo complementar, a motivação por “sol e praia” pode ser reinterpretada no contexto estadual por meio da valorização de experiências de lazer associadas à água: lagos, rios e balneários, favorecendo roteiros de curta duração e deslocamentos regionais. No eixo de cultura e gastronomia, a presença em Goiás de três etnias reconhecidas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), de 58 comunidades quilombolas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares e de repertórios culinários locais constitui base para circuitos culturais e gastronômicos e para experiências comunitárias, desde que acompanhadas de estratégias de salvaguarda e mediação cultural. Em conjunto, tais ativos evidenciam condições favoráveis para o fortalecimento, de forma integrada e territorialmente distribuída, de segmentos vinculados à natureza e aventura, águas e lazer, cultura e gastronomia, articulando planejamento, infraestrutura e governança para ampliar a capacidade de atração e a sustentabilidade do desenvolvimento turístico no estado.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS


A análise do turismo goiano na PNAD Turismo 2024 evidencia um cenário marcado por contrastes. De um lado, persistem desigualdades estruturais que restringem o acesso às viagens, indicando que a prática turística permanece fortemente condicionada pela renda, em Goiás, menos de um quarto da população realizou viagens no período analisado. De outro, o estado consolida-se como destino estratégico no cenário nacional, ocupando a 8ª posição entre os destinos mais buscados por viajantes domésticos e é o único do Centro-Oeste no Top 10.

Os resultados corroboram a interpretação de que o turismo no Brasil e em Goiás opera, em certa medida, como um espaço de reprodução de desigualdades sociais (Bourdieu, 1998), no qual o capital econômico incide não apenas sobre a possibilidade de viajar, mas também sobre as modalidades de deslocamento (por exemplo, veículo próprio versus transporte coletivo) e os padrões de hospedagem (meios comerciais versus redes de sociabilidade). Nesse contexto, Goiás expressa uma contradição analiticamente relevante: ao mesmo tempo em que se posiciona como destino competitivo e receptor de fluxos turísticos, apresenta baixa intensidade de consumo turístico interno por parte de sua população. Em outras palavras, os goianos tendem a conhecer mais outros estados do que o próprio, direcionando recursos para economias externas. Além disso, os goianos viajam menos do que o volume de turistas que o estado recebe, mas, quando viajam, gastam mais do que os turistas que visitam Goiás.

Como implicação prática para a gestão pública, os achados apontam para a necessidade de políticas públicas voltadas ao incentivo do turismo intrarregional, com ênfase no fortalecimento do consumo turístico interno. Nesse sentido, o Observatório do Turismo de Goiás encaminhou à Agência Estadual de Turismo (Goiás Turismo) a sugestão de estruturação de um programa com campanha direcionada para residentes. A iniciativa poderia adotar um mote como “Goianos, bora viajar por Goiás!”, em caráter complementar às ações promocionais já existentes de alcance mais amplo (como “Bora pra Goiás!”), orientando estratégias de comunicação e mobilização para estimular deslocamentos internos e ampliar a retenção de gastos e o impacto econômico do turismo no território goiano. Ressalta-se, contudo, que se trata de uma recomendação derivada desta pesquisa e que, até o momento, não foi implementada.

No desenho desse programa, sugerem-se mecanismos de incentivo ao residente, viabilizados por meio de articulação com o setor privado e entidades representativas, como tarifas reduzidas em meios de hospedagem e condições promocionais em serviços turísticos, como guias de turismo, restaurantes, atrativos privados e equipamentos de lazer. Além disso, pode-se considerar a implementação, via aplicativo gamificado, de um Passaporte Turístico Estadual, a fim de estimular a recorrência e a diversificação do turismo entre regiões turísticas, com foco nos segmentos de maior preferência apontados pela PNAD.

Para sustentar o direcionamento do programa, torna-se fundamental fortalecer a capacidade estadual de produção de pesquisas, como inventários turísticos, censos hoteleiros e levantamentos em eventos. Complementarmente, recomenda-se investir em plataformas de inteligência turística (big data) que captem dinâmicas pouco observáveis por pesquisas primárias, integrando bases e refinando a leitura territorial. A efetividade dessas políticas também depende da qualificação e articulação dos atores do trade e gestão, com ênfase na formalização e fortalecimento das Instâncias de Governança Turística, no funcionamento dos Conselhos e Fundos de turismo, na inserção e atualização dos municípios no Mapa do Turismo, bem como em ações de capacitação e formalização de negócios.

Adicionalmente, os dados apontam para a necessidade de intervenções com o componente redistributivo, como programas de democratização do acesso ao lazer e o aprimoramento do transporte público intermunicipal, reconhecendo o turismo não apenas como atividade econômica, mas também como dimensão de bem-estar e direito social.

Como limitação desta pesquisa, destaca-se a restrição dos dados disponibilizados pelo IBGE em algumas dimensões analíticas, uma vez que determinadas variáveis são divulgadas por recortes regionais, e não por unidade federativa, o que reduz a granularidade das análises específicas sobre o caso goiano. Como sugestão para pesquisas futuras, recomenda-se a continuidade da produção de boletins estaduais com base na PNAD Contínua, sempre que houver novas divulgações, de modo a fortalecer a capacidade de monitoramento de tendências. Tal recomendação se sustenta no entendimento de que pesquisas produzem dados, dados orientam políticas públicas, e políticas públicas bem fundamentadas tendem a gerar retornos concretos para a população e para as comunidades locais.


REFERÊNCIAS


BOURDIEU, Pierre. Os três estados do capital cultural. In: NOGUEIRA, M. A.; CATANI, A. (org.). Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 71-79


CRESWELL, John W.; CRESWELL, J. David. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 5. ed. Thousand Oaks: Sage, 2018.


INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. PNAD Contínua: Turismo 2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102209_informativo.pdf. Acesso em: nov. 2025.


INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Módulo de Turismo 2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html. Acesso em: mar. 2026.


OBSERVATÓRIO DO TURISMO DE GOIÁS. Panorama das viagens domiciliares no Brasil e em Goiás (2024) PNAD – Contínua. Goiânia: Goiás Turismo, 2026. Disponível em:  https://goias.gov.br/observatoriodoturismo/boletins-especiais/ Acesso em: jan. 2026.


SHELLER, Mimi; URRY, John. The new mobilities paradigm. Environment and Planning A: Economy and Space, v. 38, n. 2, p. 207–226, 2006. DOI: https://doi.org/10.1068/a37268
Acesso em: 03 mar. 2026.


URRY, John. O olhar do turista: lazer e viagens nas sociedades contemporâneas. São Paulo: Studio Nobel, 2001.


1 Discente do curso de Bacharelado em Turismo do IFG - Instituto Federal de Goiás, Guia de Turismo Nacional e Graduação em Gestão de Turismo (UEG), especialista em Desenvolvimento Regional e Planejamento Turístico (UEG). Mestre e doutoranda em turismo (USP). Coordenadora do Observatório do Turismo de Goiás. Lattes: https://lattes.cnpq.br/3863202491093437.

2 Ciências Econômicas (Centro Universitário Alves Faria). Pesquisador do Observatório do Turismo de Goiás. Lattes: http://lattes.cnpq.br/7009508423234793.

3Graduação em Hotelaria (UEG). Pesquisadora Voluntária do Observatório do Turismo de Goiás. https://lattes.cnpq.br/3024145329452077.

4 Turismóloga (IFRR). Mestre em Desenvolvimento Regional da Amazônia (UFRR) e doutoranda em turismo (USP). Pesquisadora Voluntária do Observatório do Turismo de Goiás. Lattes: https://lattes.cnpq.br/5865202447499186.

Agradecimentos: Esta pesquisa foi conduzida pelo Observatório do Turismo de Goiás (Departamento de Pesquisa da Agência Estadual de Turismo - Goiás Turismo), contando com a colaboração de pesquisadoras bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) – Finance Code 001.

245 Revista Brasileira dos Observatórios de Turismo - ReBOT, Natal/RN, v.5, n.2, Dossiê 4ª Mostra de Pesquisa Científica e Mercadológica da RBOT, p. 242-251, 2026.