Infância subversiva

a ruptura da heteronormatividade em Seis vezes Lucas, de Lygia Bojunga

Autores

  • Ana Caroline Freire Pessoa Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
  • Anália Vitória Costa Ferreira Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
  • Concísia Lopes dos Santos Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) https://orcid.org/0000-0002-0928-1270

DOI:

https://doi.org/10.59776/2357-8203.2026.7464

Palavras-chave:

Seis vezes Lucas, Lygia Bojunga, violência, criança

Resumo

Este trabalho analisa a obra Seis Vezes Lucas (1999), de Lygia Bojunga, destacando sua escrita transformadora que rompe com a ideia de uma literatura infantil idealizada e pedagógica. Em oposição à representação da criança como sujeito passivo e ingênuo, Bojunga constrói personagens infantis dotados de autonomia criativa e sensibilidade crítica diante dos conflitos do mundo adulto. A análise foca especialmente no ambiente caóide vivenciado por Lucas em sua relação com o pai, marcada por violências simbólicas e pela dominação masculina. Destacamos como, afetado pelo caos, o personagem estabelece uma zona de vizinhança entre o Devir-artista e o Devir-criança, conforme teorizado por Deleuze e Guattari (2012), encontrando fissuras no sistema patriarcal que tenta aprisioná-lo, desterritorializando a estrutura familiar hierárquica em que vive. A análise fundamenta-se ainda nas contribuições de Pierre Bourdieu (2002), acerca da violência simbólica e da dominação masculina, e em Chimamanda Adichie (2017), no que tange à construção de gênero e a urgência de uma educação feminista para crianças. Conclui-se que Lucas representa uma infância marginalizada pela lógica heteronormativa e patriarcal, mas que resiste por meio da criação de um universo próprio, onde pode elaborar novas formas de ser e de existir enquanto menino. A narrativa de Bojunga, portanto, não só reconfigura o lugar da criança na literatura, como também propõe uma crítica social contundente ao mostrar a infância como potência criadora, capaz de subverter ordens estabelecidas e de reinventar afetos e territórios.

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Biografia do Autor

Ana Caroline Freire Pessoa, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern)/Campus Pau dos Ferros/RN. 

Anália Vitória Costa Ferreira, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern)/Campus Pau dos Ferros/RN. 

Concísia Lopes dos Santos, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Professora de Teoria da Literatura do Departamento de Letras Estrangeiras no Campus Avançado de Pau dos Ferros, do Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem, do Programa de Pós-graduação em Letras e colaboradora no Programa de Mestrado Profissional em Letras/Pau dos Ferros. 

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Publicado

21-08-2026

Como Citar

PESSOA, Ana Caroline Freire; FERREIRA, Anália Vitória Costa; SANTOS, Concísia Lopes dos. Infância subversiva: a ruptura da heteronormatividade em Seis vezes Lucas, de Lygia Bojunga. Colineares, Mossoró, Brasil, v. 11, n. 1, p. 135–146, 2026. DOI: 10.59776/2357-8203.2026.7464. Disponível em: https://periodicos.apps.uern.br/index.php/RCOL/article/view/7464. Acesso em: 22 ago. 2026.