DO DISCURSO PATOLOGIZANTE AO IMPERATIVO DO ALTO RENDIMENTO:
UM OLHAR PSICANALÍTICO SOBRE A MEDICALIZAÇÃO DA INFÂNCIA E SUAS REPERCUSSÕES ESCOLARES
Palavras-chave:
Medicalização da infância. Psicanálise. Sociedade do desempenho. Patologização. Educação. Singularidade subjetiva.Resumo
Este artigo examina criticamente os processos de patologização e consequente medicalização da infância e suas repercussões no contexto escolar, analisando como o discurso contemporâneo opera através de mecanismos de controle social que promovem a autoexploração e a supressão da singularidade. A partir de uma perspectiva psicanalítica, investiga-se como a sociedade do desempenho, conceituada por Byung-Chul Han, transforma o imperativo da performance em uma nova forma de opressão silenciosa, onde o sujeito deixa de ser oprimido por proibições externas e passa a ser explorado pela própria lógica da produtividade. O estudo demonstra como a transformação de dificuldades cotidianas em categorias diagnósticas reflete uma cultura que deslocou seus mecanismos de controle da coerção externa para a autoexploração, onde o sujeito se vê obrigado a ser, simultaneamente, seu próprio algoz e sua própria mercadoria. Através de uma análise bibliográfica e reflexão teórica, examina-se o papel da família e da escola na reprodução da lógica medicalizante, evidenciando como instituições que deveriam promover o desenvolvimento subjetivo se transformam em dispositivos de controle e normalização. A pesquisa aponta para a necessidade de alternativas clínicas e pedagógicas que visem convocar o sujeito ao lugar desejante, visto que esse discurso de produção e perfeição, não aponta para a falta, a incompletude que localiza o sujeito no circuito do desejo e assim possam resistir às tentativas de normalização. As considerações finais enfatizam a importância de repensar a educação como espaço de acolhimento e valorização das diferenças, buscando alternativas pedagógicas mais sensíveis e, efetivamente, inclusivas que permitam a cada sujeito construir livremente sua trajetória de vida, resistindo às determinações patologizantes impostas pela sociedade contemporânea.
