O FEMININO ENTRE A DOR E A RESISTÊNCIA: VIOLÊNCIA, SAÚDE MENTAL E ESTRATÉGIAS ÉTICO-POLÍTICO-ESTÉTICAS
ONDE A DOR ENCONTRA LINGUAGEM E A VULNERABILIDADE SE TORNA POLÍTICA
DOI:
https://doi.org/10.59776/2358-243X.2025.7564Palavras-chave:
Feminino; Violência de gênero; Alteridade; Saúde mental; Psicanálise; Medicalização.Resumo
Este artigo propõe uma reflexão crítica e interdisciplinar sobre o lugar do feminino diante da violência estrutural, simbólica e biopolítica, com atenção especial à forma como tais violências atravessam o campo da saúde mental. A partir de aportes da psicanálise, da filosofia política, da teoria decolonial, dos estudos de gênero e das críticas à medicalização da vida — dialogando com autoras e autores como Freud, Lacan, Foucault, Fanon, Butler, Federici e hooks —, o texto investiga como o feminino pode ser pensado como campo de alteridade e resistência. O feminino é aqui abordado não apenas como identidade de gênero, mas como estratégia ética, política, estética e clínica, capaz de enfrentar dispositivos normativos que perpetuam exclusão, silenciamento e patologização do sofrimento psíquico de mulheres e dissidências de gênero. Ao incluir a saúde mental nesse debate, o capítulo questiona as formas de escuta, cuidado e produção de subjetividade oferecidas às mulheres, frequentemente marcadas por reducionismos biomédicos e pela deslegitimação de suas experiências emocionais como expressão de uma dor política e histórica. Assim, propõe-se um espaço de diálogo entre saberes e práticas capazes de reconhecer o feminino como potência crítica e como forma de resistência às violências que regulam condições de vida, de saúde e de subjetivação. A articulação entre psicanálise, estudos decoloniais e teorias feministas permite compreender como a vulnerabilidade, quando reconhecida como experiência compartilhada e politizada, pode tornar-se força de criação, solidariedade e reinvenção.
