“PLANTAÇÕES DE MACONHA”, “BALBÚRDIA” E CHOCOLATINHOS:
O ETHOS INFECCIOSO METAFÓRICO DO FRACASSO ESCOLAR NO DISCURSO MINISTERIAL COMO EXTREMIDADE DA GOVERNAMENTALIDADE DO FRACASSO ESCOLAR
Palavras-chave:
Fracasso Escolar, Ethos, Ethé, DiscursoResumo
Este estudo explora como os discursos do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, atuam como um ethos infeccioso metafórico, contribuindo para a perpetuação do fracasso escolar no Brasil. Baseado nos conceitos de ethos de Aristóteles e em contribuições teóricas contemporâneas de Aragão (2013) e Macêdo Júnior (2024), o estudo analisa como discursos negacionistas podem ser comparados a agentes patogênicos que corrompem o sistema educacional. Weintraub promoveu narrativas que desqualificam práticas educacionais estabelecidas e questionam dados científicos, contribuindo para a deslegitimação e descredibilidade da educação brasileira. A metodologia adotada foi descritiva (Gil, 2002) e comparativa, analisando discursos de Weintraub durante seu mandato. A análise evidenciou que as declarações do ex-ministro funcionam como agentes etiológicos que introduzem uma infecção no sistema educacional, corroendo sua estrutura e promovendo desinformação e polarização. Exemplos incluem a desvalorização de universidades e ataques a figuras como Paulo Freire, criando um ambiente de desconfiança e hostilidade. Essas retóricas não só desviam a atenção dos problemas reais da educação, como também dificultam a implementação de soluções eficazes, perpetuando o fracasso escolar. Utilizando as teorias de Maingueneau (1993) e Charaudeau (2008), a pesquisa demonstrou que o ethos construído por Weintraub desvaloriza a educação pública e estigmatiza estudantes e professores. Ao comparar esses discursos a uma infecção biológica, o estudo revela como eles podem gerar comportamentos prejudiciais e desviar recursos de questões críticas do sistema educacional. Para combater essa infecção discursiva, é crucial promover um ambiente educacional baseado em evidências científicas e identificar e neutralizar os vetores de desinformação, contribuindo para uma educação pública mais robusta e inclusiva.
