VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA A MULHER:
QUANDO O ÓDIO SE VOLTA AO FEMININO
DOI:
https://doi.org/10.59776/2358-243X.2025.7512Palabras clave:
Violência de gênero contra a mulher, Psicanálise, Ódio ao femininoResumen
Buscou-se investigar, à luz da psicanálise, como a violência de gênero contra a mulher pode ser compreendida como expressão de impasses subjetivos ligados ao ódio ao feminino e à fragilidade dos semblantes fálicos no laço social contemporâneo. Para isso, realizou-se uma pesquisa qualitativa de caráter narrativo, recorrendo-se a vinhetas clínicas como recurso ilustrativo para sustentar a reflexão acerca da articulação entre sujeito, discurso e violência. Essas vinhetas foram construídas a partir de atendimentos psicanalíticos em situações de urgência subjetiva, realizados no projeto institucional da Universidade de Fortaleza (Unifor), voltado ao acolhimento de mulheres e de suas filhas e filhos em contexto de violência de gênero. Na discussão teórica, diferencia-se agressividade e violência na perspectiva psicanalítica. A agressividade, constitutiva do eu e do laço social, orienta a relação do sujeito com o desejo. A violência, por sua vez, irrompe quando há falha na simbolização, configurando-se como resposta ao trauma, à frustração e ao encontro com o real. Sob essa ótica, as vinhetas clínicas evidenciam que o feminino, enquanto resto não assimilável pela lógica fálica, convoca respostas violentas e reações de ódio. Concluímos, assim, que a psicanálise oferece uma contribuição singular, não se trata de eliminar o mal-estar pela repressão ou pela força, mas de sustentar a presença daquilo que nos escapa.
Palavras-chaves: Violência de gênero contra a mulher. Psicanálise. Ódio ao feminino.
