VIDAS QUE (NÃO) IMPORTAM
feminicídio e naturalização da violência
Palavras-chave:
Feminicídio, Cobertura midiática, transgressão simbólica, interseccionalidadeResumo
O artigo analisa o feminicídio no Brasil como fenômeno social, político e simbólico, articulando dados estatísticos, legislação e representações midiáticas. A partir da análise de notícias do portal Fim da Linha, evidencia-se a invisibilização das vítimas, a naturalização da violência e a ausência de contextualização sobre os agressores. Em diálogo com autoras e autores como Judith Butler, Giorgio Agamben, Patrícia Hill Collins, Teresa de Lauretis e Lélia Gonzalez, o estudo compreende o feminicídio como expressão de uma estrutura patriarcal e racista que hierarquiza vidas e nega luto social a mulheres negras, periféricas e pobres. Além da crítica à cobertura midiática, o artigo propõe ações de transgressão ético-política, como iniciativas de comunicação comunitária, memória e políticas públicas interseccionais, capazes de ressignificar narrativas e transformar a memória das vítimas em denúncia e resistência, rompendo com a indiferença diante da morte feminina.