A TRANSPARÊNCIA COR-DE-ROSA
Feminilidade, Controle e Imagem em Barbie (2023)
Palavras-chave:
Barbie, Feminilidade, Imagem, Dispositivo de Controle, SociedadeResumo
O filme Barbie (2023), dirigido por Greta Gerwig, reinterpreta a icônica boneca da Mattel® ao mesclar fantasia, comédia e crítica social, sobretudo em relação às questões de gênero, imagem e consumo. A narrativa acompanha a “Barbie estereotipada”, que vive na Barbielândia — um universo idealizado em tons pastéis, onde as Barbies ocupam posições de sucesso e empoderamento, enquanto os Kens permanecem em papéis subordinados, dependentes da validação das Barbies. A trama se intensifica quando a protagonista começa a vivenciar pensamentos existenciais e transformações físicas, conduzindo-a ao mundo real. Nesse espaço, Barbie se depara com contradições enfrentadas pelas mulheres contemporâneas, como normas de comportamento, pressões estéticas e desigualdades de gênero. Em contrapartida, Ken descobre a lógica patriarcal, sente-se validado por ela e retorna à Barbielândia com o intuito de impor a dominação masculina, desencadeando uma crise entre os dois mundos. O filme se constrói, assim, como uma crítica bem- humorada aos estereótipos de gênero, aos padrões de beleza, aos imperativos de consumo e às expectativas sociais impostas às mulheres, ao mesmo tempo em que revela a ambivalência das representações, oscilando entre crítica e reforço de ideais normativos. Este estudo adota uma abordagem qualitativa, realizando um estudo de caso fílmico onde se examinam as dimensões simbólicas, visuais e narrativas do filme. O referencial teórico articula contribuições de Teresa de Lauretis (1994), Naomi Wolf (1992), Byung-Chul Han (2017), Giorgio Agamben (2009) e Edgar Morin (2014), permitindo compreender a Barbie como figura de uma feminilidade controlada, desejável e espetacularizada, inscrita nos dispositivos culturais de poder e imagem.