METODOLOGIAS ATIVAS E ENSINO DE GEOGRAFIA:
segregação socioespacial, mobilidade e acessibilidade no cotidiano escolar
DOI:
https://doi.org/10.59776/3086-5204.2026.7850Palavras-chave:
Geografia Escolar. Mobilidade Urbana. Segregação Socioespacial. Metodologias Ativas. Bairro Pedras (Fortaleza-CE).Resumo
O espaço geográfico constitui uma construção social dinâmica que reflete desigualdades estruturais, mas também processos de resistência territorial. Esta pesquisa toma como recorte espacial o bairro Pedras, situado na periferia de Fortaleza-CE, região marcada por um crescimento urbano acelerado e pela persistente carência de políticas públicas de mobilidade. O objetivo central é compreender como o uso de metodologias ativas, da cartografia colaborativa, de trabalhos de campo e da investigação territorial contribuem para a leitura crítica das dinâmicas socioespaciais cotidianas. A metodologia, de cunho qualitativo e participativo, incluiu revisão bibliográfica, registros fotográficos e atividades práticas realizadas com estudantes do 6º ano da Escola Municipal Francisca Oriá Serpa. Durante o percurso investigativo, os discentes mapearam obstáculos severos à acessibilidade, como a ausência de pavimentação regulamentar e a precariedade do sistema de transporte coletivo, integrando de forma efetiva a teoria geográfica à vivência local. Os resultados indicam que as deficiências gritantes de infraestrutura urbana reforçam a segregação socioespacial e cerceiam o direito fundamental à cidade. Conclui-se que o emprego de estratégias ativas no ensino de Geografia potencializa o protagonismo discente e a construção coletiva do conhecimento, consolidando a disciplina como instrumento de reflexão e transformação socioespacial. Tal abordagem revela-se essencial para a formação de sujeitos conscientes e engajados na busca por territórios mais justos, democráticos e inclusivos.
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