O ensino de filosofia como exercício psicagógico para uma vida soberamente cínica em tempos difíceis

Autores

  • Benjamim Julião de Góis Filho Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.25244/1984-5561.2023.6790

Palavras-chave:

Filosofia, Ensino, Foucault, Cínicos

Resumo

Nas últimas obras de Michel Foucault (1926-1984) e nos seus seminários oferecidos no College de France nos três anos finais de sua vida, ele problematiza as relações entre verdade, sujeito e poder: a questão de quem somos nós no presente, quando se volta para o cuidado de si, as práticas de si, a parresía. É nessa perspectiva que se pretende no presente texto, apontar para a necessidade de pensar a filosofia e seu ensino a partir da ideia de experiência de si: pensar um problema que afete verdadeiramente e não que se enuncie a partir de questões continuamente retomadas pelas pesquisas acadêmicas, como uma forma ritualizada que aprisiona o ato de pensar. Foucault, no curso Hermenêutica do Sujeito, apontou para a preponderância do cuidado de si sobre a consciência de si, ou seja, retomou, a partir de um retorno aos antigos gregos, a questão da possibilidade da Filosofia como modo de vida: este retorno aos antigos procurou tirar de seu eixo o desenvolvimento da filosofia como campo disciplinar, evidenciando historicamente a ruptura com a sua antiga configuração, como modo de vida. Essa perspectiva pode auxiliar a repensar a educação filosófica no presente, sobretudo quando ela se converteu em uma disciplina no currículo escolar e em transmissão técnica de um saber especializado a mais, centrando-se quase que exclusivamente em seu veio pedagógico e na comunicação de informações sem quaisquer preocupações com a formação, e muito menos, com a transformação de si. Dito de outro modo: trata-se, aqui, de pensar a filosofia não entendida como uma área do saber fechada sobre si mesma, mas pela filosofia perspectivada como uma intensidade do pensamento, como uma forma de problematizar e pensar os problemas. O que Foucault chamou de coragem do pensamento. Outrossim, trata-se ainda, de refletir a respeito da possibilidade de experimentar um modo de existência no qual o que importa é ter uma atitude filosófica ante o pensamento e a vida, ou seja, ensaiar e ensaiar-se continuamente na experienciação de viver-pensar filosoficamente; entender a inseparabilidade entre o pensamento e a vida, pensar a convergência do professor e do pesquisador. Tal empreendimento aponta para a necessidade de pensar algumas questões: Seria possível a filosofia como modo de vida e a face psicagógica da educação filosófica no presente? O que faz o filósofo quando uma de suas tarefas no contexto presente é ser professor de filosofia?

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Referências

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Tradução: Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Loyola, 1996.

FOUCAULT, Michel. A Hermenêutica do Sujeito. Tradução: Márcio Alves da Fonseca. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

FOUCAULT, Michel. Ditos e Escritos VI: Repensar a política. Organizador: Manoel Barros da Motta. Tradução: Ana Lúcia Paranhos Pessoa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.

FOUCAULT, Michel. A Coragem da Verdade. Tradução: Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

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Publicado

2024-12-29

Como Citar

JULIÃO DE GÓIS FILHO, Benjamim. O ensino de filosofia como exercício psicagógico para uma vida soberamente cínica em tempos difíceis . Trilhas Filosóficas, [S. l.], v. 16, n. 3, p. 147–154, 2024. DOI: 10.25244/1984-5561.2023.6790. Disponível em: https://periodicos.apps.uern.br/index.php/RTF/article/view/6790. Acesso em: 7 maio. 2026.

Edição

Seção

Dossiê 20 anos do Curso de Filosofia UERN/Caicó (v.16, n.3, 2023, Edição Especial)