O Esquematismo Aritmético na Filosofia da Aritmética e na Crítica da Razão Pura:
integrando as Perspectivas Kantianas e Husserlianas
Palavras-chave:
Immanuel Kant, Edmund Husserl, Esquematismo, Matematicas, ConstruçãoResumo
Em perspectiva kantiana, o conhecimento é possível pela síntese entre a espontaneidade do entendimento e as formas a priori da sensibilidade. Esse processo envolve examinar como sensação, intuição, categorias e ideias da razão se articulam na constituição da realidade. Na Crítica da razão pura, a seção sobre o esquematismo mostra o mecanismo que viabiliza a aplicação das categorias aos dados sensíveis resolvendo a heterogeneidade entre ambos. O problema é como regras gerais do entendimento podem incidir sobre objetos concretos, exigindo uma ponte entre a multiplicidade empírica e os conceitos puros. Essa mediação, o esquema, permite subsumir o particular no universal, assegurando a objetividade do conhecimento. Este artigo parte da hipótese de que o aparato kantiano está presente nas origens do pensamento husserliano, configurando um percurso análogo entre a Crítica e a Filosofia da Aritmética. Sustenta-se que o esquema-procedimento fundamenta a representação do número como adição sucessiva do um ao um, enquanto o esquema-produto sintetiza fenomenologicamente a multiplicidade segundo o entendimento. A investigação será desenvolvida em três eixos: (1) a problemática do esquematismo transcendental; (2) sua relação com a filosofia da matemática kantiana, especialmente quanto à intuição e construção; e (3) a relevância desses temas para a filosofia de Edmund Husserl.
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