A gênese do sentido:
experiência e juízo em Edmund Husserl
Palavras-chave:
Husserl, Experiência, Juízo, Fenomenologia genética, RacionalidadeResumo
O presente artigo investiga, no interior da obra tardia de Edmund Husserl, sobretudo em Erfahrung und Urteil, o problema da gênese do sentido na passagem da experiência (Erfahrung) ao juízo (Urteil). A hipótese de trabalho é que o juízo, longe de constituir o início da racionalidade, representa o ponto de explicitação de um processo anterior e mais amplo de constituição de sentido, enraizado na vida intencional, em suas sínteses passivas, na afetividade originária e na temporalidade do vivido. Trata-se de mostrar que o logos husserliano não nasce de uma operação formal, mas de uma história implícita da consciência, que, por meio de sedimentações e reativações, converte o dado vivido em estrutura judicativa. A leitura articula Husserl com alguns de seus leitores apenas na medida em que eles permitem tornar mais nítidas as etapas internas do percurso em questão. Defende-se, por fim, que a gênese do juízo coincide com a gênese da objetividade e da Lebenswelt, de modo que pensar o juízo é pensar a historicidade interna do próprio mundo-da-vida.
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