O que há de ingênuo na ciência?:
Husserl e a maldição da epistemologia
Palavras-chave:
Husserl. Ciência. Ingenuidade. Crise. Fenomenologia transcendental. Cultura.Resumo
O artigo procede a um escrutínio da noção husserliana de “ingenuidade” tanto em matéria de ciência quanto de filosofia. Sob tal ângulo, trata-se de diagnosticar no seio de nossa cultura no Ocidente o sintoma de um mal-estar que parece se instalar irremediavelmente. Husserl identifica, com precisão cirúrgica, o ponto nevrálgico de tal fenômeno consubstanciado, pois, no objetivismo da ciência. É o naturalismo objetivista que constitui, aos seus olhos, a origem da crise que a acompanha como uma “maldição”, a saber, a “maldição da epistemologia”.
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