Decolonialidade, dialogismo e tensões sobre gênero

uma teia discursiva em conflito

Autores

  • Danielyson Yure de Queiroz Valentim Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
  • Júnior Alves Feitoza Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
  • Luís Felipe Gomes Bezerra Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

DOI:

https://doi.org/10.59776/2357-8203.2026.7773

Palavras-chave:

decolonialidade, dialogismo, gênero, Érika Hilton

Resumo

Os estudos decoloniais têm focalizado a ascensão de vozes silenciadas por sistemas e estruturas de poder no decorrer do tempo, marcadas por gênero, raça, heteropatriarcado, assim como “pela desapropriação de corpos e terras e, também, pela racionalidade ocidental como única estrutura e possibilidade de existência” (Walsh, 2023, p. 6). Este trabalho propõe uma análise derivada da articulação dos estudos decoloniais e dialógicos, a fim de identificar os embates entre discursos hegemônicos e discursos de resistência em relação ao gênero, a partir das ações e reações construídas com base nos enunciados produzidos no episódio de transfobia sofrido pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP), no mês de setembro de 2023. Assim, para desenvolver este trabalho, amparou-se teórico e metodologicamente em obras de Bakhtin e o Círculo, a saber Bakhtin (2015; 2016; 2022), Volóchinov (2019; 2021), Medviédev (2018), bem como estudiosos que discutem sobre gênero e decolonialidade, Facchine (2003), Lacerda e Santos (2020), Quijano (2015), Silva (2021), Neves (2022), Walsh (2023). O discurso do deputado Isidório reflete uma concepção binária e biologizante de gênero, atrelada à ideia de sexo biológico em oposição às construções identitárias e sociais. Em contraponto, as reações contrárias afirmam identidades trans e confrontam práticas discursivas que reforçam o preconceito e a exclusão. As tensões evidenciam o embate entre uma visão normativa e eurocêntrica e outras que ampliam a compreensão de gênero para além dos limites impostos pelo modernismo colonial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Danielyson Yure de Queiroz Valentim, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Graduação em Letras/Inglês pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialização em Docência no Ensino de Letras/Inglês (Instituto IMES). Mestrando em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PPGL/UERN).

Júnior Alves Feitoza, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Graduação em Letras pelo Centro Universitário UNIFIP. Mestrado em Formação de Professores (PPGFP/UEPB). Doutorando em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PPGL/UERN).

Luís Felipe Gomes Bezerra, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Graduação em Letras/Inglês pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialização em Metodologias do Ensino de Línguas (IFSertãoPE). Mestrando em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PPGL/UERN).

Referências

ALVES, M. P. S. O enunciado concreto como unidade de análise: a perspectiva metodológica bakhtiniana. In: RODRIGUES, R. H. PEREIRA, R. A. (org.) Estudos dialógicos da linguagem e pesquisas em linguística aplicada. São Carlos: Pedro & João Editores, 2016. p. 163-177.

BAKHTIN, M. Teoria do romance I: A estilística. Tradução, prefácio, notas e glossário de Paulo Bezerra; organização da edição russa de Serguei Botcharov e Vadim Kójinov. São Paulo: Editora 34, 2015.

BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. Tradução feita a partir do russo; tradução Paulo Bezerra. São Paulo: Editora 34, 2016.

BAKHTIN, M. Problemas da poética de Dostoiévski. 5. ed. Tradução Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense - Universitária, 2022.

BRAIT, B. A construção coletiva da perspectiva dialógica: história e alcance teórico-metodológico. In: FIGARO, Roseli. (Org.). Comunicação e análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2015.

CNN Brasil. Deputado comete transfobia e chama Érika Hilton de “amigo” durante sessão da Câmara. 19 set. 2023. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/deputado-comete-transfobia-e-chama-erika-hilton-de-amigo-durante-sessao-da-camara/. Acesso em: 11 jul. 2025.

FACCHINI, R. Movimento homossexual no Brasil: recompondo um histórico. Cad. AEL, v.10, n.18/19, 2003. Disponível em:https://www.al.sp.gov.br/repositorio/bibliotecaDigital/20788_arquivo.pdf. Acesso em: 11 jul. 2025

GANEM, C. M. S. Estado laico e direitos fundamentais. In. DANTAS, B. et al. Constituição de 1988: Os alicerces da redemocratização (Os alicerces da redemocratização). Brasília, DF: Senado Federal, 2008. v. 1, 2008. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/publicacoes/estudos-legislativos/tipos-de-estudos/outras-publicacoes/volume-i-constituicao-de-1988/principios-e-direitos-fundamentais-estado-laico-e-direitos-fundamentais#:~:text=Assim%2C%20a%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20de%201891,o%20exerc%C3%ADcio%20de%20cultos%20religiosos%E2%80%9D. Acesso em: 10 de jul. 2025.

LACERDA, L. X. B; SANTOS, C. E. F. O movimento LGBT no Brasil: Reflexões sobre trajetória e lutas (1970-2000).

MEDVIÉDEV, P. N. O método formal nos estudos literários: introdução crítica a uma poética sociológica. Tradução de Sheila Camargo Grillo e Ekaterina Vólkova Américo e. São Paulo: Contexto, 2018.

NEVES, I. S. Vidas que incomodam: Marielle Franco e o dispositivo colonial. Revista da Anpoll, Florianópolis, v. 53, n. 2, p. 315-330, maio-ago., 2022.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (Org.) A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Colección Sur-Sur, CLACSO, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina. 2005.

SILVA, P. R. O pensamento liminar e a epistemologia da subalternidade: vinculação entre decolonialidade e colonialidade/modernidade. Revista Humanidades e Inovação, v. 8, n. 39, p. 296-307, 2021.

TERRA BRASIL. Deputado causa tumulto ao usar fala transfóbica com Érika Hilton na Câmara: ‘Meu amigo’. YouTube, 20 de setembro de 2023. 3min24s. Disponível em: <https://youtu.be/1qXEoYQ7QZg?si=WChxa6jyn-BcbmZ2>. Acesso em: 10 de julho de 2025.

VOLÓCHINOV, V. A palavra na vida e a palavra na poesia: ensaios, artigos, resenhas e poemas. In: VOLÓCHINOV, V. A estilística do discurso literário II: A construção do enunciado. Organização, tradução, ensaio introdutório e notas de Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo. São Paulo: Editora 34, 2019. p. 266-305.

VOLÓCHINOV, V. Marxismo e filosofia da linguagem: Problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução, notas e glossário de Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2021.

WALSH, C. Pedagogías Decoloniales. Práticas Insurgentes de resistir, (re)existir e (re)vivir. Serie Pensamiento Decolonial. Editora Abya-Yala. Equador, 2023.

Downloads

Publicado

21-08-2026

Como Citar

VALENTIM, Danielyson Yure de Queiroz; FEITOZA, Júnior Alves; BEZERRA, Luís Felipe Gomes. Decolonialidade, dialogismo e tensões sobre gênero: uma teia discursiva em conflito. Colineares, Mossoró, Brasil, v. 11, n. 1, p. 147–157, 2026. DOI: 10.59776/2357-8203.2026.7773. Disponível em: https://periodicos.apps.uern.br/index.php/RCOL/article/view/7773. Acesso em: 22 ago. 2026.

Artigos Semelhantes

<< < 1 2 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.