Uma análise dos elementos de coesão e da construção das identidades da mulher negra no conto “Mais iluminada que as outras”, de Jarid Arraes
DOI:
https://doi.org/10.59776/2357-8203.2026.7781Palavras-chave:
identidade, mulher negra, representatividade, coesão textualResumo
O conto Mais iluminada que as outras, de Jarid Arraes (2019), protagonizado por uma mulher negra, propõe reflexões sobre o racismo estrutural e as formas de dominação herdadas do processo de colonização no Brasil. Por meio de recursos expressivos, a autora constrói uma personagem marcada pelas opressões de gênero e raça, cuja configuração simbólica a transforma em símbolo de resistência e denúncia. Este artigo tem como objetivo geral analisar o conto com base nos processos de coesão, considerando a perspectiva étnico-racial. São objetivos específicos: (1) identificar as formas remissivas gramaticais presas e livres no conto Mais iluminada que as outras; (2) examinar como as formas remissivas gramaticais contribuem para construção discursiva da identidade da protagonista; e (3) averiguar a representatividade da mulher negra no conto. O referencial teórico ancora-se nos estudos de Koch (2010) e Cavalcante (2012), no campo da Linguística Textual, bem como nas contribuições de Gonzalez (2011), Kilomba (2019) e Ribeiro (2005), que abordam a construção social da identidade racial e de gênero. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa e descritiva, centrada na análise interpretativa da linguagem. Os resultados revelam que a protagonista simboliza a condição histórica de apagamento das mulheres negras, ao mesmo tempo em que transforma o corpo e a palavra em ferramentas de resistência e afirmação. A frequência e o encadeamento de determinadas formas linguísticas reiteram a visibilidade e a urgência de escuta dessas vozes. O conto de Jarid Arraes, assim, se consolida como um texto literário de forte denúncia social e de construção identitária.
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Referências
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