A comida como metáfora alimentar para análise semântico-discursiva no conto Ave de paraíso, de Nélida Piñon
DOI:
https://doi.org/10.59776/2357-8203.2026.7780Palavras-chave:
metáfora alimentar, significados, subjetividades, relações de gêneroResumo
Este artigo tem como objetivo explorar a metáfora alimentar como recurso discursivo na composição de subjetividades no conto Ave de Paraíso, de Nélida Piñon (2022). Parte-se da premissa de que as metáforas, ao ressignificarem elementos cotidianos como a alimentação, podem revelar dimensões simbólicas do desejo, do afeto e das relações de gênero. No conto, a torta de chocolate ocupa posição central na dinâmica entre os protagonistas, adquirindo diferentes significados ao longo da narrativa. Propõe-se, ainda, a: (I) analisar os sentidos atribuídos à torta de chocolate como marcador simbólico da relação do casal; (II) examinar como a metáfora alimentar estrutura discursos sobre gênero, evidenciando tensões entre desejo e submissão; e (III) interpretar como essa metáfora constrói concepções do papel feminino no espaço conjugal, associando comida, cuidado e dever. A fundamentação teórica baseia-se em Ferrari (2011), Moura e Zanotto (2009), que discutem a construção da metáfora e sua indeterminação semântica; e em Barcellos (2017), que reflete sobre o alimento como campo simbólico e imaginativo. Quanto às discussões em torno das relações de gênero presentes na narrativa, recorre-se às contribuições de Biroli (2014) e Saffioti (1987). A pesquisa, de caráter bibliográfico e fundamentada em leitura analítica, demonstra que a metáfora alimentar transcende sua função material, revelando subjetividades e relações de gênero. Ao representar amor, ritual e submissão, o alimento se converte em linguagem simbólica das relações afetivas, promovendo uma reflexão crítica sobre os discursos de gênero que sustentam as estruturas privadas.
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