A continuidade indivisa da experiência:
o papel da intuição nas filosofias de Husserl e Bergson
Palavras-chave:
Husserl, Bergson, Intuição, Fenomenologia, EspiritualismoResumo
Este artigo analisa o conceito de intuição, com base nos pressupostos de dois autores contemporâneos, Husserl e Bergson. Este conceito foi elementar para as filosofias de ambos, como parte da sua recepção crítica e comum da filosofia transcendental de Kant, na qual a intuição foi um componente incontornável. Apesar de suas abordagens apresentarem especificidades, o uso metodológico do conceito de intuição é semelhante em algumas de suas nuances teóricas. São duas as principais correspondências: a primeira é a de que Husserl e Bergson caracterizaram, respectivamente, a intuição como o elemento cognitivo que permite a apreensão das “coisas mesmas” e do “absoluto”, por meio de adaptações da teoria da intuição kantiana. A segunda diz respeito aos modos como cada um operou a crítica ao empirismo, por meio do aprofundamento do problema da temporalidade, compreendendo a intuição como um “objeto temporal”, indissociável da noção de duração. O papel metodológico da intuição é, em ambos, o de viabilizar a “continuidade indivisa” das experiências. No entanto, há dissonâncias entre eles, no que se refere ao vínculo da intuição com a percepção.
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