Decolonialidade, dialogismo e tensões sobre gênero
uma teia discursiva em conflito
DOI:
https://doi.org/10.59776/2357-8203.2026.7773Palabras clave:
decolonialidade, dialogismo, gênero, Érika HiltonResumen
Os estudos decoloniais têm focalizado a ascensão de vozes silenciadas por sistemas e estruturas de poder no decorrer do tempo, marcadas por gênero, raça, heteropatriarcado, assim como “pela desapropriação de corpos e terras e, também, pela racionalidade ocidental como única estrutura e possibilidade de existência” (Walsh, 2023, p. 6). Este trabalho propõe uma análise derivada da articulação dos estudos decoloniais e dialógicos, a fim de identificar os embates entre discursos hegemônicos e discursos de resistência em relação ao gênero, a partir das ações e reações construídas com base nos enunciados produzidos no episódio de transfobia sofrido pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP), no mês de setembro de 2023. Assim, para desenvolver este trabalho, amparou-se teórico e metodologicamente em obras de Bakhtin e o Círculo, a saber Bakhtin (2015; 2016; 2022), Volóchinov (2019; 2021), Medviédev (2018), bem como estudiosos que discutem sobre gênero e decolonialidade, Facchine (2003), Lacerda e Santos (2020), Quijano (2015), Silva (2021), Neves (2022), Walsh (2023). O discurso do deputado Isidório reflete uma concepção binária e biologizante de gênero, atrelada à ideia de sexo biológico em oposição às construções identitárias e sociais. Em contraponto, as reações contrárias afirmam identidades trans e confrontam práticas discursivas que reforçam o preconceito e a exclusão. As tensões evidenciam o embate entre uma visão normativa e eurocêntrica e outras que ampliam a compreensão de gênero para além dos limites impostos pelo modernismo colonial.
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Citas
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