O MUNDO MAQUINADO
UMA ABORDAGEM ECOCRÍTICA DO POEMA “A MÁQUINA DO MUNDO”, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
DOI:
https://doi.org/10.59776/2357-8203.2025.4471Palavras-chave:
Drummond, Máquina, Mundo, Minério de ferro, EcocríticaResumo
O poema “A Máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, publicado inicialmente no livro Claro enigma (1951), pode ser lido diferentemente a cada nova leitura. Esta interpretação propõe um olhar ecocrítico quanto ao poder destrutivo da exploração de minério de ferro na região de Minas Gerais, cujos efeitos no meio ambiente são descritos pelo eu lírico, por meio de uma linguagem enigmática que convoca o leitor à interpretação. A ambição humana deixou sobre aquelas terras um rastro sombrio, que é trilhado pelo nebuloso eu lírico enquanto caminha por uma estrada de Minas. Os três reinos (animal, vegetal e mineral) estão comprometidos pelo processo avassalador da “máquina do Mundo” (“Os Lusíadas” de Camões), mas há algo que parece salvar o eu lírico: os sons que ainda vêm do meio ambiente, e também as flores reticentes, que se abrem e se fecham dentro dele. Portanto, são símbolos de resistência. Após uma breve contextualização (O mundo apresentado), esse ensaio apresenta uma análise formal (O mundo ferrado) que caminha linearmente com os versos do poema e, por fim, conclui realizando uma síntese crítica da exposição (O mundo continuado). É importante ressaltar o caráter intertextual da análise, não só com a própria obra de Drummond, mas com o cânone literário, assim como as reverberações da obra do escritor mineiro em autores posteriores. Esta abordagem ecocrítica tem como principal aparato teórico o estudo de José Miguel Wisnik, intitulado de Maquinação do mundo: Drummond e a mineração (2018).
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