Entre a concomitância e a não concomitância: efeitos de sentido da temporalização em jornais digitais sob um viés semiótico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22297/2316-17952026v15e02612

Palavras-chave:

Temporalização, Semiótica discursiva, Jornalismo digital, Concomitância e não concomitância, Hipertextualidade

Resumo

A migração do jornalismo para o ambiente digital transformou profundamente as práticas de leitura e circulação dos textos, rompendo com a linearidade e a estabilidade material do impresso. No meio digital, a atualização contínua, a hipertextualidade e a ampla acessibilidade reorganizam a experiência temporal do leitor, instaurando novas relações entre presente, passado e expectativa de futuro. Este artigo analisa os efeitos de sentido da temporalização no jornal on-line, tomando como corpus a seção “Colunas” da Folha de S. Paulo, especialmente suas subseções “Últimas” e “Ex-colunistas”. Fundamentado na Semiótica Discursiva, o estudo descreve como a interface do jornal e seus mecanismos de acesso participam da construção de categorias temporais como concomitância, anterioridade e posterioridade. Os resultados indicam que o jornal digital amplia e flexibiliza a temporalidade ao permitir a convivência entre textos atualizados em tempo real e conteúdos arquivados permanentemente disponíveis, gerando uma experiência temporal marcada pela simultaneidade, pela expectativa de atualização e pela reativação de enunciados passados no presente da leitura. Conclui-se que a navegação hipertextual desloca a leitura da linearidade do impresso para uma lógica expansiva, em que o leitor assume papel ativo na atualização dos sentidos e na construção do percurso temporal do discurso.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Breno Ernesto Rhoden, Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), área de concentração em Estudos Literários, linha de pesquisa Representações e Textualidades.

Antonio Lemes Guerra Junior, Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Doutor em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Docente do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL) da UEL. Vice-líder do Grupo de Pesquisa Centro de Estudos Semióticos da UEL (CES-UEL). 

Referências

BENVENISTE, E. A linguagem e a experiência humana. In: BENVENISTE, E. Problemas de lingüística geral II. Tradução de Eduardo Guimarães et al. Campinas: Pontes, 1989a. p. 68-80.

BENVENISTE, E. O aparelho formal da enunciação. In: BENVENISTE, E. Problemas de lingüística geral II. Tradução de Eduardo Guimarães et al. Campinas: Pontes, 1989b. p. 81-90.

CAGLIARI, L. C. (org.). O tempo e a linguagem. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2008.

CAVALCANTI, H. Conceitos de tempo na filosofia. São Paulo: Dialética, 2025.

FARIA, K. C. A. Temporalização e espacialização no jornal on-line. CASA: Cadernos de Semiótica Aplicada, Araraquara, v. 13, n. 2, p. 185-220, dez. 2015. DOI: https://doi.org/10.21709/casa.v13i2.8008. Acesso em: 23 abr. 2026.

FIORIN, J. L. Tempo e temporalização. In: CAGLIARI, L. C. (org.). O tempo e a linguagem. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2008. p. 9-39.

FIORIN, J. L. As astúcias da enunciação: as categorias de pessoa, espaço e tempo. São Paulo: Contexto, 2016.

HAWKING, S. Uma breve história do tempo. Trad. Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.

KOCH, I. G. V. Hipertexto e construção do sentido. Alfa, São Paulo, v. 51, n. 1, p. 23-38, 2007. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/1425. Acesso em: 23 abr. 2026.

MARCUSCHI, L. A. Linearização, cognição e referência: o desafio do hipertexto. Línguas e Instrumentos Linguísticos, Campinas, v. 2, n. 3, p. 21-45, 1999. DOI: https://doi.org/10.20396/lil.v3i3.8663510. Acesso em: 23 abr. 2026.

REINBERG, A. O tempo humano e os ritmos biológicos. São Paulo: Cultrix, 2000.

RIBEIRO, A. E. Texto e leitura hipertextual: novos produtos, velhos processos. Linguagem & Ensino, Pelotas, v. 9, n. 2, p. 15-32, jul./dez. 2006. DOI: https://doi.org/10.15210/rle.v9i2.15637. Acesso em: 23 abr. 2026.

SANTAELLA, L. Diagnóstico do contemporâneo. Estudos Avançados, São Paulo, v. 38, n. 110, p. 7-18, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2024.38110.002. Acesso em: 23 abr. 2026.

SEINCMAN, E. Do tempo musical. São Paulo: Via Lettera, 2002.

SILVA, E. Categorizações temporais e sentido: modos de descrever “o” tempo em estudos linguísticos. Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas, Ilhéus, v. 21, p. 1-22, 2024. DOI: https://doi.org/10.36113/especiaria.v21i0.4366. Acesso em: 23 abr. 2026.

TEIXEIRA, L.; FARIA, K.; AZEVEDO, S. T. Enunciação em meios digitais. Estudos Semióticos, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 122-135, dez. 2017. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2017.141616. Acesso em: 23 abr. 2026.

XAVIER, A. C. Leitura, texto e hipertexto. In: MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. (org.). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção do sentido. 2. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. p. 170-180.

Downloads

Publicado

01-10-2026

Como Citar

RHODEN, Breno Ernesto; GUERRA JUNIOR, Antonio Lemes. Entre a concomitância e a não concomitância: efeitos de sentido da temporalização em jornais digitais sob um viés semiótico. Diálogo das Letras, [S. l.], v. 15, p. e02612, 2026. DOI: 10.22297/2316-17952026v15e02612. Disponível em: https://periodicos.apps.uern.br/index.php/DDL/article/view/8000. Acesso em: 3 out. 2026.

Artigos Semelhantes

<< < 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.